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De repente
De repente tudo ficou simples. O desespero acabou e os pensamentos tornaram-se livres outra vez. A vida deixou de ser um caminho em que sempre se deve vencer. O tempo não mais implorou para que fosse usado com sabedoria. Os sonhos retornaram. Deliciosas ilusões que jamais serão reais. A música ficou mais leve, uma bela viagem de olhos fechados. As lágrimas passaram a ser de emoção, não mais de ansiedade. Lágrimas de quem reencontra um grande amigo, de quem vê um sorriso naquele que jamais sorri. Os pequenos prazeres passaram a fazer parte de todos os momentos. As pessoas deixaram de ter importância. As pessoas passaram a ter importância. O mundo tornou-se mais vivo, mais interessante.
Rabiscado por Strange Little Girl - 11:47 PM -
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1001 CDs
22 - Joni Mitchell - Hejira: Muito bom! 23 - The Who - My Generation: Divertidinho. 24 - Mamas and the Papas - If You Can Believe Your Eyes & Ears: Divertidinho. 25 - Queen - A Night at the Opera: Mais divertidinho. 26 - Depeche Mode - Music for the Masses: Gostei bastante mesmo. 27 - Lucinda Williams - Car Wheels On A Gravel Road: É bem country mas é legal. 28 - Elvis Presley - Blue Suede Shoes: Uma tortura. 29 - Deee-Lite - World Clique: Não rolou um clima. 30 - The Doors - Morrison Hotel: Gostei mais da primeira vez que ouvi. Depende da música. 31 - Elastica - Elastica: Eu já ouvi esse CD? Me lembrou uma mistura de Garbage com alguma cantora que eu não gosto. Não é de se jogar fora. 32 - Sigur Ros - Agætis Byrjun: Whadafuck??? O cantor parece uma mulher cantando pra dentro. O som é esquisitíssimo, algo meio gay e morto. Mas sabe que eu até que gostei! 33 - Kate Bush - The Sensual World: É Kate Bush! O que mais eu preciso dizer? 34 - Aretha Franklin - I Never Loved A Man The Way I Love You: É bom, mas não conseguiu me atrair tanto. 35 - Suede - Dog Man Star: Gostei, mas é meio enjoativo. O vocalista canta igualzinho ao vocalista de uma banda paquistanesa que eu escutava. 36 - War - The World is a Guetto: Sei lá... chatinho. 37 - The Chemical Brothers - Exit Planet Dust: Gostei! Me senti em uma balada cheia de gente drogada. 38 - Sarah Vaughan - At Mister Kelly: Passei a adorar essas músicas antigas. 39 - Miriam Makeba - Miriam Makeba: Não deu. Me senti em alguma selva estranha com zebrinhas. 40 - Bonnie Prince Billy - I See A Darkness: Sem graça. 41 - Baaba Maal - Lam Toro: Não deu mesmo! Música africana com cara de música latina. Nunca gostei de música latina... 42 - Anita Baker - Rapture: Parece música que a minha mãe ouviria, mas eu gostei. 43 - Harry Nilsson - Nilsson Schmilsson: Mais ou menos. Tem umas coisinhas boas. 44 - Suede - Suede: Continuei gostando um pouco, mas continuou enjoativo. 45 - Gorillaz - Gorillaz: Umas três músicas devem salvar. 46 - M.I.A. - Arular: Me diverti bastante! Não tentei saber do que se tratavam as letras. É beeeeeem funk, é a popozuda oculta que há dentro de mim... 47 - Carole King - Tapestry: É bom! Vou me lembrar dele quando não quiser ouvir nenhum dos meus favoritos.
Rabiscado por Strange Little Girl - 9:12 PM -
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Orkut
Estou ficando com saudade do orkut. A cada momento de tédio e depressão eu tenho vontade de entrar naqueles perfis azuis e ficar mandando scraps, lendo perfis dos outros, vendo fotos dos outros, comunidades dos outros, depoimentos dos outros! Eca! Eu não vou entrar naquilo outra vez. Quero que os lindos amiguinhos dos outros se fodam. Quero que as pessoas que eu detesto se fodam também. É incrível como nós tentamos saber mais sobre as vidas das pessoas que nos fizeram mal... Deve ser alguma forma de masoquismo humano! Vou resistir, vou resistir!
Rabiscado por Strange Little Girl - 1:06 AM -
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Culpa
Ontem eu dormi mal. Hoje acordei um pouquinho melhor, mas ainda estava meio pra baixo. Não tinha entendido muito bem o que havia acontecido. Foi uma tensão, uma angústia que apareceu do nada. Estranho... tudo estava indo tão bem! Agora eu acho que entendi o que aconteceu. É um probleminha mal resolvido com aquele estágio. Eu ainda preciso fazer um relatório para aquela tortura constar no meu currículo. Preciso voltar lá, pedir o caderno, o CD.... também preciso que o professor corrija um erro no meu contrato. É uma tarefa bem simples, mas só a idéia de entrar naquele laboratório me dá calafrios! Eu saí de lá de um jeito horrível, estava acabada. Meu orientador já havia declarado guerra contra mim. Eu fiquei muito tensa, chorei muito, agi como uma criança na frente daquele professor e seus alunos de pós-graduação. Eu achava que tinha uma responsabilidade com aquele lugar, com o meu professor. Eles tinham me ensinando um monte de coisas e eu saí quando o projeto estava começando a dar certo. Me senti muito mal! Eu não consegui deixar de demonstrar isso para todas as pessoas que trabalhavam lá. Queria ter sido forte, queria ter enfrentado aquele orientador, queria ter tido a certeza de que eu realmente precisava sair. Eu não precisava ter gaguejado tanto, podia ter me explicado bem.... Sabe... "Olha, eu vou sair do laboratório. Não quero fazer pesquisa e não consigo trabalhar com o meu orientador." Fácil, prático, adulto. Por que eu precisei agir como uma criancinha do primário? Ah... por que eu me importava! Me importo demais... me importo tanto que as pessoas me torturam por isso... Essa culpa me persegue! Eu sou sentimental, quero ser amiga de todo mundo. E o que acontece? Me ferro! Preciso ser mais fria, profissional, apática... Todos são assim. Vou resolver esse problema o mais rápido possível. Nunca mais quero ter que pisar lá.
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:50 AM -
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Bye bye orkut
Me livrei do orkut. Deletei. Não quero mais entrar naquilo. Eu vivi por muito tempo sem precisar de perfis de todas as pessoas que eu conheço. Não quero mais saber se a minha amiga de infância já beijou homens mais velhos, se aquele desconhecido do fundão é ateu ou se a minha maior inimiga recebe mais scraps do que eu. Não quero julgar as pessoas pelo que elas escrevem em um site. Não quero competir por mais contatos, por mais depoimentos. Não quero precisar colocar fotos felizes para provar que tenho bons amigos. Não é uma lista de comunidades que vai fazer eu concluir se aquela pessoa é interessante ou não. Aquilo é deprimente! Você conhece uma pessoa qualquer e já vai procurar o perfil para avaliá-la. Será que gosta de pagode? Será que é conservadora de direita? Será que é homossexual? Será que é amiga do seu ex namorado? Eca! Eu quero conhecer as pessoas pelo que elas realmente são, quero mandar e-mails individuais, quero passear, quero conversar pelo telefone. Não quero usar uma muleta inútil para aumentar o meu círculo social. Também não quero perceber que todos sabem tudo sobre mim e não dão o menor valor. Cansei de ser um perfil. Quero ser uma pessoa.
Rabiscado por Strange Little Girl - 4:14 AM -
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Faculdade
Acho que cometi um erro. Ainda não tenho certeza. Pensar na faculdade é complicado, já que ela não é feita apenas de aspectos negativos. Afinal, se eu escolhi o curso por conta própria é porque de alguma coisa gostava. E ainda gosto. E vou relativamente bem. Eu acho a biologia do ser humano interessantíssima, gosto de fazer contas e consigo muito bem prestar atenção em uma aula de química. Descobri que não tenho paciência para fazer pesquisa e que não suporto o ambiente (nem o cheiro) de laboratório. Não dá. Mas esse não foi exatamente o meu erro. Ele foi maior. Eu escolhi minha profissão baseada nas coisas que me aterrorizavam. Quis algo em que trabalhasse com facilidade, em que eu não precisasse lidar com muitas pessoas, nem precisasse expressar minhas opiniões pessoais. Eu pensava em me formar em sociologia, psicologia, letras! Achei difícil. Imagine... dar aulas, conversar com todas aquelas crianças malvadas que um dia me torturaram. Que erro! A cada dia eu percebo mais o quanto eu adoro lidar com pessoas, tanto individualmente quanto com o público. Eu adoro isso! Adorava me reunir para fazer trabalhos, falar na frente da sala de aula, dançar e tocar no palco. Eu me sinto bem em um palco. Estranho para quem sofre tanto com a timidez... Mas é disso que eu sinto falta! Eu me confundi. Sim, eu prefiro pensar sozinha. Gosto de ler, entender, fazer meus relatórios e depois discutir. Pensei que isso era gostar de trabalhar sozinha, mas não era. Não sei se vou sair da faculdade, já passei da pior parte. Talvez termine, não é tão ruim, mas eu quero terminar sem culpa. Não quero pensar o tempo todo no tempo que eu perdi. Esse foi o tempo que eu precisei para me conhecer melhor. Posso até encontrar um emprego melhor lá, quem sabe em marketing, fiscalização, comunicação, atendimento! Estou pensando em parar um tempo e tentar trabalhar em algo diferente. Tudo é válido, nada é perda de tempo. Meus desejos estão bem na minha frente, é só eu vencer meus medos, endendê-los e lutar por eles. Às vezes minha decisão nem tenha sido um erro. Talvez eu ainda me dê muito bem naquilo. Eu só não sou quem eu imaginava ser. Me prendi a um antigo esteriótipo. Eu posso ser muito melhor. E vou ser. Sem mais traumas, sem mais cobrança, sem mais ressentimento. Vou dar tempo ao tempo.
Rabiscado por Strange Little Girl - 3:09 AM -
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Sozinha
Hoje eu estranhamente fiz coisas sozinha. Fui fazer documentação para colocar aparelho (quase passei mal com o molde de gesso), comprei um livrinho sobre queijos, bebi um excelente capuccino com chantilly e passei por uma loja de móveis para ver o que poderia comprar para a minha casa (digo, a casa dos meus pais que eu finalmente aceitei como minha). Nunca falei com tantas atendentes em um dia só. Eu normalmente as acho pavorosas. Eu ainda fiz uma estranhisse máxima: telefonei para pedir informação! Eu não sei explicar meu pânico de telefonistas, eu nunca ligo, nunquinha. Mas hoje eu liguei. Enrolei um pouco, ensaiei um pouco e liguei. No final não foi traumático! As pessoas são simpáticas! O triste foi descobrir que não havia procura o suficiente para o curso que eu queria fazer na escola de inglês. Vou acabar fazendo um outro mesmo... só não vou parar. A melhor coisa do dia foi conhecer os novos amigos do meu irmão. Muito bom! Que pessoal divertido! Fiquei até depois da 1 da manhã conversando com seu amigo guitarrista. Como é bom conhecer gente nova... já tinha me esquecido disso. Também resolvi começar a trazer os meus amigos para a minha casa. Tô nem aí se papai não gosta de gente. Essa é a minha casa e eu vou fazer dela um lar. I hate people, but I love them so much. That's probably what I miss... dealing with those weird weird human beings. I guess I'm starting to find this happiness I've always sought... so many sweet lovely days!
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:55 AM -
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Conclusões do dia
- Meu medo de atendentes é fictício.- Meu medo de falar em público é mais fictício ainda.- Meu medo de pessoas existe porque eu me importo demais com a opinião delas.Essas são estranhas. Eu adoro falar em público, sempre achei bem divertido. Não que eu fale bem, eu sou um desastre, mas não me importo. Sempre sou a primeira a dizer "Ah, se ninguém quiser falar pode deixar que eu falo". Eu não sei porque eu invento pra mim mesma que tenho medo de gente. Eu falo com gente! Eu só fico com medo quando penso em quem faz isso melhor. Sabe, eu morro de medo de dar aula quando mentalizo professoras péssimas que tive. Acho que vou ser tão ruim quanto. É pior quando mentalizo professores excelentes. Daí eu idealizo, idealizo, acho que nunca vou ser igual. Talvez nem seja. Eu não tenho experiência de vida pra isso. Tenho poucas histórias. Daqui a alguns anos terei mais. Sobre o medo de atendentes. Esse é estranho. Eu odeio a idéia de falar ao telefone. Sempre peço para qualquer pessoas marcar médicos para mim. O pior é ligar para pessoas que realmente não gostam de mim. Deve ser difícil para qualquer um. Mas as atendentes... isso depende do meu humor. Tem dia que eu não quero conversar! Não quero ser educada, sorrir e fingir que tá tudo bem! Nem quero ver alguém me dizendo que a roupa ficou liiiiiiiiiiiiinda quando eu sei que estou rechonchudíssima. Quando eu preciso eu falo e nem é traumático. Às vezes eu conheço pessoas bem legais. O segredo deve ser não se importar com o que elas pensam de você. Não levar qualquer problema ou reclamação par ao lado pessoal. É só pensar na atendente como um computadador, um objeto inanimado... Melhor! É só pensar na atendente como alguém normal que deve estar de saco cheio de ter um trabalhinho sem graça... Meu maior e verdadeiro problema é lidar com pessoas individualmente. O público é só "um monte de gente". O que me entristece é tentar conversar com alguém e ver que a pessoa não se importa. Sabe quando você tá meio carente e tenta mendigar a atenção de semi-conhecidos? Não dá certo! Atenção quem dá são melhores amigos e olha lá! É bom separar as pessoas em categorias: aquelas que escutam e aquelas que não escutam. Para as que não escutam você está sempre feliz, fala de coisas profissionais, faz trabalhos, conversa bobagens pelo msn... ou melhor, nem conversa por msn! Gente chata fica ainda mais chata no msn! Resolvi reservar meu msn para amigos, bons amigos. O pior é se importar com a opinião de quem não te escuta. Digo, de quem te despreza. Por que diabos a gente se preocupa tanto com quem nos despreza? Parece que eles são sempre mais fortes. Fortes o cacete! Eles são simplesmente CHATOS! Podem ter mais habilidade para conversar trivialidades, mas ainda assim... é melhor fugir de quem nos despreza mesmo! Não ouvir! Deixar pra lá! Não tentar encontrar razões e mais razões para o desprezo... muitas vezes nem existe razão mesmo.- Eu não consigo dirigir igual à minha mãe.Ai, essa coisa da direção já me irritou um pouco. Eu erro alguma coisa e já vejo a imagem da minha mãe gritando "Não é assim! Eu já te falei! Você quer matar a gente?" É como se cada vez que eu pegasse o carro eu estivesse ensaiando para o dia em que eu fosse exibir minhas íncríveis habilidades para os meus pais. Não! Eu pego o carro para me deslocar de um lugar a outro, não para provar algo para a mamãe e o papai. E não adianta remoer o "quase arranhei o carro do lado" quando você mal pegou uma carteira de motorista... É ainda melhor que o meu pai que só anda de ônibus em São Paulo, por medo de dirigir. Tá, eu juro que morro de inveja do meu namorado parando em vagas dificílimas. Bem, eu nunca precisei parar nessas vagas! Ainda tenho milhares de anos para aprender a entrar em tudo quanto é vaga... Mas que dá um ódio dá!! Ai-meu-deus! É algo do tipo "Como ele consegue fazer algo melhor que eu?" Meu eterno perfeccionismo maldito!! É, consegue, porque ele PRECISA. Vou pensar em algo do gênero "Isso não é uma prova. Meus pais não estão aqui. Um mês direito com esse carro vai resolver o problema" da próxima vez...- Eu odeio me irritar com as manias idiotas das pessoas.Eu tenho que me conformar, tenho que me conformar!Minha mãe nunca vai se importar com os meus problemas pessoais, sempre vai dizer para eu resolvê-los sozinha. Ela não vai deixar de ser prática. Vai querer que eu arrume casa, ensine coisas que já esqueci para os meus irmãos, pague contas, faça compras. É melhor ficar quieta mesmo e fazer o que preciso fazer ou dizer um "não" bem educado quando realmente não consigo fazer. É melhor que ouvir o discurso do "Você é tão egoísta!".Meu pai sempre, sempre vai dar chiliques. Os chiliques vão piorar quando ele quer atenção. Ele vai continuar fazendo comentários preconceituosos e paranóicos. Ele não vai perder o medo de gente, carros, bandidos, doenças... Ele não vai ter um desejo profundo de viajar pelo mundo do nada nem vai parar de dar mais atenção para a mãe e os irmãos dele do que para nós. Com ele não dá para discutir. Melhor sair do lugar, usar do cinismo, abrir um sorrisinho falso, ignorar. Ele perde a platéia e fica quieto.Minha irmã é estressada e vai continuar estressada. Ela vai se ofender eternamente com qualquer comentário inocente que você faça. Não dá para comentar nada! É bom elogiar muito o que ela faz e evitar apontar defeitos. Ela deve ter algum trauma com isso. É só dizer um defeito que ela vira um monstrinho assassino. E quando ela estuda na sala quando não existe outro lugar para ir? Ai, ai, ai, é melhor se trancar no quarto e ouvir mp3 mesmo. Ela sai mais rápido do que se você tentar discutir. Desisto. A privacidade absoluta dela tem que ser respeitada. A sensibilidade dela tem que ser respeitada.Meu amigo.. ai meu amigo. Esse aí me desespera! Ele adora fazer o social politicamente correto. Eu tenho vontade de morrer! Ele deixa de almoçar, deixa de comer sorvete, deixa de sair, tudo para mostrar para os outros o quanto ele é interessado. A coisa chega a ser ridícula. Ele muitas vezes fica só assistindo aos outros fazerem trabalhos porque tem que fingir que está participando bastante. Eu me estresso tanto, tanto. Já fugi abruptamente de conversas quando percebi o tal "cu doce" dele. É tão difícil dizer que precisa almoçar? A opinião daquelas pessoas realmente importa tanto? E quando ele dá uma de mais politicamente correto para os pais dos amigos? Ai, ignore, conforme-se, almoce sozinha, coma sorvete sozinha, mas não se estresse. Isso não vai mudar!
Rabiscado por Strange Little Girl - 11:14 PM -
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Conversando com problemas (Trabalho)
Eu não gosto de... - Pensar em repetir matérias, repetir matérias, perder tempo.Sim, eu sou perfeccionista. Não sei bem desde quando. Foi piorando com o tempo, ficou ruim no ensino médio. Acho que tem algo a ver com a escola. Eu ia bem, muito bem. Nunca fui nenhum Einstein, mas sempre fiz tudo o que devia fazer. Eu acho que levei a sério aquela história de "Você só estuda. Tem que fazer tudo. É o mínimo, é a sua obrigação". Foi daí que eu conclui que um boletim impecável fazia parte do "mínimo". Repetir matérias é o tipo de coisa que me parece meio inadmíssível. É assim, se eu dediquei aquele tempo exatamente àquela matéria e não a algo mais, porque não fazer o mínimo necessário para passar? Esse pequeno tópico me estressa bastante, porque eu não estou na escola e tenho umas matérias realmente difíceis. Mas sabe, eu até gosto disso... sempre acabo fazendo tudo bem feito. Mas eu me torturo tanto no final do semestre! Fico tão insuportável! Todo mundo fica... menos um amigo meu que realmente não estuda. Nesse caso o que eu realmente preciso fazer é relaxar e estudar. Pensar "eu não posso repetir" não ajuda em nada. Shopping, cinema, namorado, caminhada... isso sim ajuda. Se tiver muito difícil, eu posso pegar recuperação sim, posso até repetir. Depois eu dou um jeito de ajeitar o estágio. Sei lá, fico desempregada por um pouco mais de tempo! Isso não justifica um infarte aos 30 anos. "Perder tempo" é algo que me assustou desde sempre! Foi por isso que eu passei no vestibular de primeira. Tá, na verdade também foi pra provar pra todo mundo que eu era capaz. Essa eu acho que já melhorou. Eu posso sim parar tudo para fazer um intercâmbio, para tentar um emprego em outra área e ver se gosto, para tornar a faculdade algo menos estressante. Eu também posso fazer NADA nas minhas férias sem me sentir culpada. Tanta gente demora anos para entrar e sair da faculdade, por que só eu não posso?- Pensar na idéia de ouvir um "não" em uma entrevista de emprego.Isso é uma mistura de perfeccionismo com baixa auto estima. Se o "não" for por causa de falta de conhecimento e experiência, entra o perfeccionismo. "Por que eu não fiz mais? Por que eu não estudei?" Esse não é tão ruim, é só estudar mais que a coisa melhora. O grande problema é quando o "não" é por causa da minha personalidade. Sabe, eu conheço um monte de gente que faz o social, que lida bem com todo mundo. Eu tenho uma inveja enorme! Parece aquele tipo de coisa que não dá pra mudar. Eu não sou esse tipo de pessoa! Detesto do fundo da minha alma ter que lidar com gente que não tem nada a ver comigo. Não consigo fingir que gosto de algo que não gosto. Não consigo ser falsa por muito tempo. Ainda não decidi se quero ou não ser assim. Digo, não quero, mas me sinto mal quando me lembram disso. Esse negócio de ser sociável, político me parece um sinal de força. É trauma de infância. Na escola eu lidava melhor com esse tipo de coisa. Me achava a melhor da sala e, no auge da minha arrogância, falava com todo mundo. É tão fácil quando você não se importa. Isso: não se importar! Lidar com pessoas não significa ser amigo delas! Melhor, não é bom nem tentar ser amigo de certas pessoas. Já tentei, não deu certo. O "não" pode simplesmente ser porque eu realmente não tenho habilidade para fazer o que estão me propondo. O que fazer? Procurar outro emprego, tentar outra vez... não tem jeito. Levar para o lado pessoal é muito deprimente. E quem escolhe empregado às vezes usa critérios tão estranhos!- Errar em público. - Ver qualquer pessoa que esteja no mesmo nível que eu em algo, mas que seja muito melhor. - Ver pessoas que estão no mesmo ano de faculdade que eu e já têm qualquer coisa escrita em seus currículos. - Tentar algo por muito tempo e ver que o resultado ainda não está bom.Mais umas do amigo perfeccionismo. Errar em público é algo novo pra mim. Eu fugi disso durante toda a adolescência, me recusava a fazer as aulas de educação física, a única coisa que eu realmente não fazia bem. O problema é que eu cresci, e as coisas que eu não sabia fazer também resolveram aumentar. Eu não aprendi a lidar com algumas frustrações. Estava tão acostumada a fazer tudo tão certo. É bom pensar que eu estou aprendendo algo não para ser melhor que os outros, não para me exibir. Eu estou aprendendo porque eu quero, porque eu gosto, porque eu preciso. No final, não vai importar se o colega conseguia fazer aquilo melhor. Ele não vai sustentar meus filhos. Pensando assim a frustração diminui bastante. A parte do tentar algo por muito tempo é complicada, mas na maioria das vezes vale a pena. O resultado acaba aparecendo, mesmo que o processo seja muito muito devagar. E o currículo... ai ai ai. Como eu invejo o currículo dos outros! Eu entrei novinha demais na faculdade, sem carro, fazendo o curso integral. Tem gente que entrou no noturno com mais de 20 anos já tendo trabalhado em um monte de coisa e trabalhando em todos os anos da faculdade! É, não tem jeito, essa eu vou ter que aceitar. Eu dei a sorte e o azar de não ter precisado trabalhar durante a adolescência. Acho que foi sorte. Dane-se o tal mundo capitalista que quer que você tenha uma experiência impossível aos vinte e poucos anos. Eu não sou masoquista, não vou fazer quinhentas coisas ao mesmo tempo. Dá pra correr atrás de (quase) tudo depois.- Ouvir milhares de vezes que eu preciso fazer o tal social para conseguir um emprego.Eu sou de uma espécie estranha de antii-social. Eu era menos anti-social na escola. Fazia o tal "social" com quem importasse no momento, principalmente com professores e alguns colegas próximos. Na faculdade eu não tenho vontade. Não gosto de participar das coisas deles, não tem nada a ver comigo. Pra ser bem sincera, eu não gosto deles. Não fazem o meu tipo. É um mundo e balada com bebida ruim, esportes e organização de eventos. Ai, se ainda fossem eventos legais. Aqueles não dá! Eu não consigo fazer social. Não gosto daquilo o suficiente para me dedicar ainda mais. Eu já tenho pouco tempo! - Me imaginar trabalhando em um lugar onde todo mundo finge ser diferente do que realmente é.É, eu gosto de fazer amigos. Adoro trabalhar em lugares onde as equipes se dão bem, onde você pode ser sincero sobre seus problemas, onde todo mundo ajuda todo mundo. Bem, acho que todo mundo gosta disso. O fato é que eu me importo DEMAIS com isso. Trabalhar por trabalhar em um lugar desagradável é muito ruim. Às vezes isso é inevitável. Se for possível, eu vou tentar encontrar um ambiente bom, nem que isso exija um pouco do social. - Trabalhar sozinha.O problema não é trabalhar sozinha. O problema é trabalhar sozinha fazendo algo chato em uma sala cheia de outras pessoas também trabalhando sozinhas. No meu caso é laboratório. Eu não consigo ficar em um laboratório. Não sou anti-social o suficiente para isso.- Professores que não gostam de ensinar.Isso é desestimulante. Eu amava professores. Queria ser uma. Talvez ainda queira. Foi triste conhecer tantos professores ruins. Pelo menos é como um relacionamento ruim. Me ensina o que eu não quero ser.- Ver colegas meus dizendo que adoram matérias e trabalhos que eu não suporto fazer... - Pensar na idéia de trabalhar em algo chatíssimo e não ter mais que um mês de férias por ano. - Acabar descobrindo que eu não escolhi a profissão certa... - Não saber o que fazer da vida.Esse é o caso mais complicado. Eu não sei se gosto da faculdade, se não me importo, ou se odeio aquilo do fundo do meu coração. É verdade, eu não sei! Não adianta falarem que eu preciso tomar uma decisão. Eu não gostei de trabalhar em laboratório de pesquisa. Tá, nada dava certo e eu tive uma paixonite pelo meu orientador que me tratava mal. Acho que isso contribuiu. Na verdade, eu nunca me interessei muito por laboratório. Qualquer dia eu tento um em que as coisas dêem certo. Pesquisa não é pra mim. Eu gosto de resultado rápido. Talvez eu não deteste aquilo, mas não consigo fazer daquilo a minha vida. Isso é um problema. Outras pessoas serão melhores profissionais. Tá, eu consigo viver sem aquilo. O problema é que eu sou relativamente boa naquilo. Eu sou extremamente humana, gosto de música, de filmes, de escrever, de sentimentos, de psicologia, de línguas... Eu também gosto de matemática, física, química, biologia, mas de um jeito bem impessoal. Trato isso como trabalho. Minha escolha foi meio baseada nisso. Eu não me sentia capaz de lidar com pessoas e opiniões. Hoje eu sou melhor nisso, mas já tô quase na metade do curso. Melhor ver no que isso vai dar mesmo. Fica faltando uma parte de mim, eu sei. Esse negócio de me expressar é meio forte em mim, mas eu procuro saidas. Talvez não tenha nascido inteiramente para nada. Talvez tenha. Não dá pra desesperar. Quando eu acabar, talvez faça outro curso, talvez tente trabalhar em outra coisa. Eu ainda tenho muito tempo pra me encontrar, não precisa ser agora. Quanto às férias, isso parece não ter muito jeito... O melhor é aproveitar bem os feriados e fins de semana mesmo!- Aceitar que eu posso acabar a faculdade sem ter encontrado o trabalho certo. - Saber que talvez eu deteste aquele último estágio da faculdade que poderia me dar um emprego e tenha que pedir demissão. - Ouvir meu pai pedir para eu prestar um concurso público qualquer para garantir emprego caso eu não encontre um na minha área. - Ter que adiar minha independência financêira para conseguir ter uma vida e talvez para aprender coisas novas...Ai, complicado. Eu queria tanto sair da faculdade com um belo emprego. Começar como estagiária, terminar contratada. Isso é o que todo mundo quer. O chato é quando vira obsessão. Parece que se você não achar o estágio certo você vai morrer desempregado! Os neuróticos da faculdade me fizeram pensar assim. O problema é que todo mundo erra. Você pode pegar o estágio errado. Daí dá pra adiar a formatura e conseguir um melhor. Você também pode ser demitido depois de trabalhar. Pelo menos aí tem a experiência. É melhor pedir demissão do que ficar a vida inteira em um trabalho chato. A parte da independência financeira me atormenta um pouco. Morar mais tempo com a família é meio desesperador. Sabe, eu queria chegar em casa com meu namorado e poder beber um copo de vinho! Aqui, ninguém bebe e não tem essa história de trazer namorado pra dormir. Eu meio que idealizo essas coisas. Queria trazer amigos pra festinhas a noite. Todos eles moram com os pais. Só consegui fazer essas coisas de "adolescente" pouquíssimas vezes na minha vida. Eu fico com muita inveja de quem faz. Parece que eu vou estar velha demais para fazer isso quando trabalhar. Não vivi em republica, não me casei aos 20, não saí de casa... aaaaaai, parece que a minha vida vai acabar por causa disso! Como se a casa dos meus pais fosse alguma espécie de presídio. Mas é verdade, não tem jeito. A parte do namorado vai ter que ser na casa dele mesmo. Eu quase vivo lá. A bebida também fica na casa dos outros, nos churrascos, nas baladas. Não dá pra ter tudo. A família vai continuar comigo por muito tempo, ainda mais se eu ficar mais tempo na faculdade ou resolver fazer um segundo curso. É bom tentar viver com eles mesmo. Eu adiava tantos planos pensando "Ah, isso só vou fazer quando sair de casa." É melhor tentar fazer tudo o que é possível imaginando que vou ficar em casa pra sempre. Quando eu sair vai ser mais fácil, menos idealizado.- Médicos. Principalmente médicos fazendo pouquíssimo caso de qualquer outra profissão da área de biológicas... - Matar ratinhos de laboratório.
Rabiscado por Strange Little Girl - 1:37 AM -
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Eu não gosto de...
- Tentar conversar com alguém e ver que não há nenhuma afinidade com essa pessoa. - Ouvir milhares de vezes que eu preciso fazer o tal social para conseguir um emprego. - Pensar em repetir matérias, repetir matérias, perder tempo. - Qualquer esporte que seja praticado em grupo. - Perder em público. - Ver qualquer pessoa que esteja no mesmo nível que eu em algo, mas que seja muito melhor. - Ver aquelas infelizes fotos no orkut de amigos meus em que parece que eles têm mais amigos, se divertem mais, têm momentos mais incríveis... - Pensar na idéia de ouvir um "não" em uma entrevista de emprego. - Vendedores, telefonistas, secretárias. - Perceber que sou incapaz de fazer coisas que gostaria de fazer. - Brigar constantemente com as pessoas sem motivo algum. - Sempre acabar dando muita atenção a quem me despreza, me humilha. - Tentar algo por muito tempo e ver que o resultado ainda não está bom. - Pensar na idéia de trabalhar em algo chatíssimo e não ter mais que um mês de férias por ano. - Cumprimentar parentes que mal sabem meu nome. - Ouvir meu pai pedir para eu prestar um concurso público qualquer para garantir emprego caso eu não encontre um na minha área. - Médicos. Principalmente médicos fazendo pouquíssimo caso de qualquer outra profissão da área de biológicas... - Ver colegas meus dizendo que adoram matérias e trabalhos que eu não suporto fazer... - Aceitar que eu posso acabar a faculdade sem ter encontrado o trabalho certo. - Matar ratinhos de laboratório. - Não ter tanta coragem de chamar pessoas diferentes para sair. - Ouvir pessoas dizendo que eu não tenho uma vida. - Ficar perto de pessoas extremamente sociáveis. - Trabalhar sozinha. - Pessoas que percebem o problema mas esperam você ir reclamar antes de fazerem algo. - Professores que não gostam de ensinar. - Me imaginar trabalhando em um lugar onde todo mundo finge ser diferente do que realmente é. - Me imaginar ensinando aquele povo desinteressado do fundão com quem eu nunca aprendi a lidar. - Pensar na simples idéia de lidar com pessoas insuportáveis... - Não conseguir tocar nada de ouvido. - Homens que não sabem respeitar uma mulher. - Ouvir meus irmãos dizendo que eu sou igualzinha ao meu pai. - Ouvir minha cunhada falando do bar da sua casa, das baladas, das reuniões em grupo, dos passeios a noite, das viagens. - Fazer muita coisa mal feita ao mesmo tempo. - Ouvir os comentários hipocondríacos dos meus pais. - Ver minhas irmãs dizendo que adoram jogar vôlei, conversando com pessoas com quem eu nunca conversei, conhecendo todo mundo de um lugar em só um dia... - Academia. Instrutores de academia. - Acabar descobrindo que eu não escolhi a profissão certa... - Ter que adiar minha independência financêira para conseguir ter uma vida e talvez para aprender coisas novas... - Me sentir tão mal (e mostrar isso) na hora de reclamar sobre um assunto delicado, pedir uma demissão, decepcionar uma pessoa (no sentido profissional)... - Ver pessoas que estão no mesmo ano de faculdade que eu e já têm qualquer coisa escrita em seus currículos. - Não saber o que fazer da vida. - Ter medo de fazer coisas novas por me julgar incapaz disso. - Chegar atrasada por causa de outra pessoa. - Saber que talvez eu deteste aquele último estágio da faculdade que poderia me dar um emprego e tenha que pedir demissão. - Me estressar e agir como uma criança mimada. - Perceber que estou mendigando atenção para pessoas que não estão nem aí pra mim. - Conversar com semi-conhecidos no msn. - Pessoas que se preocupam mais com o dinheiro do que com amigos, família, diversão. - Agir sempre da mesma maneira estúpida com quem me diz coisas estúpidas. - Não saber lidar com as insanidades da minha família.
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:47 PM -
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Os problemas
Lidar com a ansiedade é complicado. Não é só uma questão de ignorar os problemas e procurar outras coisas para fazer. Não! Isso só os esconde e quando eles voltam, voltam ainda mais fortes. Também não adianta muito tentar contar com os outros. As pessoas não nos entendem, sempre propõem soluções absurdas ou ficam quietas sem saber o que dizer. O que você deve realmente fazer é tentar entender a fonte do problema, conversar com ele e chegar a um acordo que tornam as coisas melhores. Só você e o problema. Se não há solução imediata, proponha aceitar o problema e procurar o lado bom da situação. Se há, concentre-se nela, não deixe o problema voltar. Os problemas nos cegam, nos impedem até mesmo de ver o que era a vida antes deles. Peça licença aos seus problemas, veja o passado, entenda o que aconteceu e lute por essa vida... deixe-os irem embora. O passado nos diz tanta coisa. O presente passa tão rápido. Sempre, sempre existe um lado bom para tudo. É só tentar ver.
Rabiscado por Strange Little Girl - 1:33 PM -
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Reflexão
Estava pensando nessa menina da minha faculdade. Nunca tinha conversado com ela, apenas trocado alguns cumprimentos. Gostava dela. Parecia educada, boazinha, andava com um pessoal bem legal da sala, mas sempre passou meio desapercebida por mim. No final do ano eu estava em um bar comemorando com os meus amigos e uma amiga comentou que ela tinha um tumor benigno no cérebro. Ele já estava grande e estava comprimindo o quiasma óptico e ela tinha que ser operada. Ai, isso pra mim foi tão estranho. Nunca tinha visto alguém tão próximo ficar com um problema tão grande. E ela parecia tão bem, tinha visto ela em uma prova alguns dias antes. Não deu uma semana e ela foi operada. Tudo parecia ter corrido bem, mas houve complicações. Acho que ela teve um edema no cérebro, não sei. Só sei que ela precisou ser operada novamente e passou mais de um mês na UTI. Hoje fiquei sabendo que ela voltou para casa. Está melhorando. É... parece que agora começou a balbuciar qualquer coisa, voltou a comer sozinha e está mexendo um pé! Não sei se consigo chamar isso de melhorar... não imaginei que as coisas estivessem assim. Espero que pelo menos ela consiga se recuperar a ponto de ter uma vida normal, ou ao menos melhor. É tão triste ver pessoas tão bem sucedidas tendo tantos problemas por causa de doenças! É horrível, mas isso faz a gente parar e rever nossas atitudes. Nós estamos sempre preocupados em procurar o melhor emprego, tirar as melhores notas, ter a melhor casa e o melhor carro e nos esquecemos de viver a vida... Esquecemos o tempo todo do quanto a vida é frágil e como todos estamos sucetíveis a doenças, acidentes, crimes... É nessas horas que devemos ver a importância de valorizar cada momento com a família, com os amigos, com nós mesmos e de escolher caminhos que nos tragam a felicidade. O tempo passa, a vida acaba. Não há como voltar atrás...
Rabiscado por Strange Little Girl - 11:18 PM -
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Primeiras vezes
Primeiro encontro. Primeiro beijo. Primeira transa. Quando se é adolescente, a expectativa por todas essas primeiras vezes pode ser assustadora e também muito frustante. Parece que tudo vai ter dia marcado! Um dia você vai estar lá com o seu futuro namoradinho e, do nada, vai ter a obrigação de exibir aquele beijo de língua cinematográfico! Depois de algum tempo dando sempre os mesmos beijos você vai finalmente decidir que está preparada, que chegou a hora da primeira vez. Nesse dia você vai preparar um quarto com velas, vai colocar uma música romântica, vai vestir sua melhor camisolinha e vai tirar toda a sua roupa para que ele faça o trabalho. Bobagem! Imensa bobagem! Isso só acontece em filme, novela, revista feminina. A realidade é outra... Não é tão mágica, mas é muito, muito menos traumática. O fato é que não existe dia da primeira vez, existe processo da primeira vez. E é um processo natural! Em um relacionamento de verdade, não existe essa história de melhor beijo, de melhor transa. É um aprendizado a dois. É diferente com cada pessoa. O primeiro beijo pode ser um selinho mal dado, o segundo, o princípio de um beijo de língua, o terceiro, algo maravilhoso. E a graça está nisso mesmo! Quando há carinho, um erro qualquer é motivo para um abraço, para boas risadas e para uma segunda e excelente tentativa. E a tal primeira vez? Não existe primeira vez. A cada beijo, a cada momento de privacidade, as mãos percorrem novos caminhos. Os corpos se conhecem. As luzes apagadas disfarçam inseguranças até aquilo tornar-se extremamente natural. Os defeitos tornam-se evidentes e tornam-se motivo de aceitação, de compreensão. A intimidade surge. Tudo acontece devagar, em meio a conversas, a bons filmes, a sorrisos... Cada peça de roupa se vai no momento certo, do jeito certo. E no dia da tal primeira vez, isso vai ser apenas um detalhe, uma nova tentativa dentre uma infinidade de preliminares já testadas e aprovadas muitas e muitas vezes. Pode não dar certo. Provavelmente não vai dar certo. Um pode se sentir desconfortável, o outro pode perder a vontade. E daí? Vocês vão simplesmente procurar uma maneira ja conhecida de continuar ou vão fazer outra coisa. Um vai conhecer o outro, vai conhecer cada sinal, cada indicação do que pode e o que não pode ser feito. E se for bom, vai ser simplesmente uma excelente novidade em um relacionamento já tão cheio de experiências.
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:37 AM -
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Foda-se
Eu nunca me senti tão deprimida como nos últimos dois anos. Nunca chorei tanto, nunca me senti tão perdida, tão ansiosa, tão confusa. Viver, crescer, fazer escolhas, tudo isso me assustou muito. Eu achava que tinha um futuro perfeito. Era só me esforçar bastante que eu ia conseguir um bom emprego e ganhar bem. Doce ilusão. Eu era na verdade uma pessoa das mais comuns, cheia de limitações e passível de ouvir nãos de qualquer empregado estúpido de um RH. Não sabia como ganhar muito dinheiro, nem mesmo sabia se estava fazendo a coisa certa. Só sentia que o tempo não era mais suficiente para fazer coisas divertidas, que as obrigações aumentavam, que as escolhas tornavam-se mais definitivas, mais perigosas... Que medo! Que insegurança! Um caminho tão complicado para um futuro que parecia tão simples... Queria ter um carro, uma boa casa, viajar, ser reconhecida e estar prontinha para ter o meu primeiro filho aos 30 anos! Queria sair de casa logo depois dos 18! Continuei me esforçando, mas vi que existiam pessoas que se esforçavam mais, que eram melhores e que também estavam no mesmo jogo. Eu era um nada. Um nada com uma imensa obrigação de se dar bem na vida. Um nada imaturo, despreparado... Um nada obcecado com a idéia de sucesso, de escolha. Um nada que não aceitava a idéia de não acertar de primeira, de tentar de novo... Quer saber? Decidi apertar o botão do foda-se. Não sei se estou fazendo o curso certo, nem se vou ganhar dinheiro no futuro próximo. Não preciso me torturar por isso, não preciso achar que estou jogando meu tempo fora por um erro... Não tenho a obrigação de ganhar muitos mil reais aos 23, de ser chefe aos 30, de ser pianista, de nada! Porra! Eu nem fiz 20 anos e já estou sofrendo para ter sucesso aos 40? Pelo amor de deus... Não!! FODA-SE!!!!!!
Rabiscado por Strange Little Girl - 3:23 AM -
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Infantil
É, eu realmente devo ser muito infantil. Uma criança mimada. Afinal, eu gosto de ser amiga dos meus colegas. Gosto de poder chorar, de poder conversar, de poder expor a minha vida sem ser chamada de imatura, sem ser humilhada por causa disso. Gosto de fazer meu trabalho com perfeição e de ser reconhecida por isso. Gosto que saibam ao menos o meu nome. Gosto de trabalhar em equipe, não de pisar nos outros para conseguir mais dinheiro. Gosto de carinho e compreensão entre as pessoas. Gosto de me fazer especial para os outros, de ajudar, de respeitar. Também gosto de ser ajudada, de ser respitada. Gosto de estar em lugares de onde eu sei, que daqui a muitos anos, eu ainda vou chorar de saudade. Pois é, deve haver algo de muito errado comigo. Devo ser uma tola, uma imbecil. Eu quero apenas ser eu mesma. Não quero controlar grupos de pessoas egoístas e hipócritas. Não quero ser respeitada por pessoas que não respeitam nem suas próprias mães. Não quero ouvir nãos de diretores de empresas que nem sabem o meu nome. Não quero fingir que tenho habilidades que não tenho. Quero apenas me esforçar, crescer, fazer amigos, ser feliz. Será que isso é querer tanto assim?
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:56 AM -
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Faculdade
Odeio a minha faculdade. Poucos lugares me deixam tão infeliz como aquele. Os professores que antes eram meus heróis agora são velhos medíocres que nem se importam em saber meu nome. As aulas são dispensáveis, cópias mal feitas de livros. Os colegas não se importam mais com amizade, se importam em competir por notas, por empregos. As férias são um tempo para trabalhar, para estudar, para se preparar para o tal mercado. Bom é quem tem mais contatos. Os chefes são aqueles que insistem em me testar, em me humilhar, em me provar o quanto eu sou ruim. Odeio isso. Será que sou mimada? Ou apenas não sou masoquista o suficiente para achar tudo isso normal?
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:45 AM -
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Escola
Eu não amo o conhecimento. Na realidade, nunca nem gostei de estudar. Estudava muito, muito pouco. Nem me importava muito com o que estava estudando. Algumas coisas eram interessantes. Adorava discutir história, geopolítica, literatura. Também adorava responder aqueles problemas difíceis de física e química. O fato é que eu achava a escola um lugar incrível. Reclamava, reclamava, mas sempre fazia tudo, sempre tirava boas notas. Aquilo me dava sensação de trabalho bem feito, me dava confiança. Meus professores eram meus heróis. Eram adultos interessantes que me contavam histórias, que se esforçavam para me ajudar a me tornar alguém. E eu devia algo a eles! Devia estudar, devia aprender tudo aquilo, devia aproveitar as oportunidades que eles me proporcionavam. Eu me esforçava muito. Queria ser vista como uma pessoa dedicada, responsável, madura, carinhosa. Queria estabelecer esses vínculos com todas as pessoas que eu julgava tão especiais. No final todos me conheciam, todos confiavam em mim. A cada final de ano eu chorava de saudades do que havia passado, mas não tinha medo, pois um novo ano estava por vir, uma nova jornada com pessoas novas, trabalhos novos, objetivos novos. Eu nem pensava no presente. E eis que um dia eu tive que escolher apenas uma entre todas as coisas que eu tanto gostava. Que sofrimento! Eu adorava ser criativa e lógica ao mesmo tempo, adorava ler, escrever, fazer contas... adorava ser aluna! Mas eu cresci. Tinha que me tornar mais uma profissional limitada... incompleta...
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:25 AM -
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Saudade
Ninguém pensa muito nas coisas boas que acontecem. Na verdade, ninguém reconhece que muitas coisas são, na realidade, muito muito boas. Elas acabam virando rotina, acabam tornando-se essenciais às nossas vidas sem que nem ao menos percebamos. E eis que um dia elas simplesmente desaparecem e os nossos mundos desabam! Sentimos apenas saudade, uma saudade doentia, uma confusão, uma depressão que insiste em nos atormentar... Nem nos lembramos da fonte de tanta saudade, apenas temos saudade, saudade do que se foi, do passado que não voltará. O que era tão importante nesse passado? Não sabemos. Ele apenas fora incrível, tinha algo que o presente não tem mais. Algo essencial...
Rabiscado por Strange Little Girl - 1:37 AM -
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Mary
Mary, minha primeira filha... 
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:26 AM -
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1001 CDs
1 - Dire Straits - Brothers in Arms: Respeitável. Algumas músicas boas. Outras muito longas. Vou ouvir mais uma vez. 2 - Liz Phair - Exile in Guyville: Nunca gostei de Liz Phair. Confirmei isso. 3 - Fugazi - Repeater: Um sacrifício. Não gosto. Não tem jeito. 4 - Dusty Springfield - A Girl Called Dusty: Divertido! 5 - Eminem - The Slim Shady LP: Melhor que eu tinha imaginado. O cara tem umas letras boas. 6 - Bruce Springsteen - Born in the USA: Bom para ouvir no carro, na estrada. 7 - Simon and Garfunkel - Bridge over Troubled Water: Algumas músicas muito boas. Outras um pouco sem graça. É um bom CD. 8 - Stevie Wonder - Innervisions: Muito bom. Nunca tinha ouvido. 9 - Nusrat Fateh Ali Khan - Devotional Songs: Já conhecia há muito tempo. Música religiosa paquistanesa. Muito diferente. Não é para muita gente. 10 - Aretha Franklin - Lady Soul: Bom. Preciso ouvir outra vez. 11 - Cheb Khaled - Kenza: Não sei... se a maioria das músicas não fosse em árabe... 12 - Nina Simone - Wild is the Wind: Bom, muito bom. 13 - Sheryl Crow - Tuesday Night Music Club: Divertidinho. 14 - Ravi Shankar - The Sounds of India: Música indiana é bem incrível. Gostei. 15 - Billie Holiday - Lady in Satin: Ótimo. Ouvi duas vezes seguidas. 16 - PJ Harvey - Rid of Me: Não aguento a PJ Harvey. 17 - Peter Gabriel - So... : Gostei bastante. Lembra Phil Collins com Kate Bush. 18 - Saint Etienne - Foxbase Alpha: Esquisito... 19 - Kate Bush - The Dreaming: Um dos melhores CDs que existem na minha opinião. Excelente do começo ao fim. Um tanto quanto assustador para quem nunca ouviu antes... 20 - Travis - The Man Who: Quase morri enquanto ouvia. Contava quantas músicas faltavam! Depressivo demais. Chatinho demais. 21 - Ice Cube - AmeriKKKas Most Wanted: Gangsta music ya motherfucker! Melhor que Travis. Muito crime, muito bitch e muito fuck pra mim. Prefiro o Eminem.
Rabiscado por Strange Little Girl - 1:16 AM -
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Amor
Enquanto caia aquele temporal você me pegou no colo, me ajudou a passar. Nós rimos, ensopados, e corremos para casa para poder tomar um banho quente. Fizemos a maior bagunça. Jogamos aquelas roupas em qualquer lugar e entramos juntos no banho, competindo pela água quente que caia do chuveiro. Eu não tinha roupas, eu vesti um camisetão muito maior que eu. Nos deitamos. Assistimos ao mesmo seriado de meses... Conversamos sobre intimidades com aquela naturalidade que só é alcançada após anos de convivência. Rimos de nossos próprios defeitos. Eu o vi do meu lado. Tão incrível. Fiquei o tempo todo deitada sobre seu braço. E aquela vontade que nunca ia embora. Aquela vontade de abraçá-lo o tempo todo, te tocar seus cabelos e beijá-lo como nos primeiros dias. Todos estes atos tão simples, às vezes tão involuntários, nunca menos importantes... Tantos anos. E ainda o mesmo sorriso quando nossos olhos se encontram em um momento de paz. Ainda as mesma inocência de alguns atos.... de risos espontâneos, de coisas que só nós entendemos. Meu conforto, meu lar, onde quer que eu esteja. Minha certeza de que qualquer lugar estará melhor em sua companhia. E estes seus olhos... e este seu sorriso... e todas essas coisas que você me diz. E até estas nossas brigas, estas lágrimas... Nunca quero te perder. Quero sempre sentir estas suas mãos sempre tão inconscientemente ligadas às minhas enquanto andamos para qualquer lugar. Quero sempre esse seu jeito incrível de me fazer feliz. Quero sempre você. Te amo.
Rabiscado por Strange Little Girl - 3:31 AM -
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Jazz
É engraçado como a música consegue mudar tanta coisa dentro de mim. Esse disco apareceu na hora certa. Me tirou do mundo real e me trouxe uma taça de um bom vinho e uma incrível conversa nessa madrugada. A felicidade às vezes é tão simples. Um breve momento, uma doce memória, o som de uma bela canção... é tudo inspirador. Às vezes eu vejo imagens, às vezes eu vejo pessoas, às vezes eu apenas sinto. Hoje eu vi essa mulher. A mulher que eu quero ser daqui há muitos anos. E eu a conheço. Ela já me ensinou algumas coisas, me mostrou o infinito valor da felicidade, dos momentos. Ela mudou alguma coisa dentro de mim. Foi uma mãe. You know... this gives me shivers! I heard what you said. It was exactly what I wanted for my life when I was your age.
Ouvindo: Billie Holiday - Lady in Satin; Coletânea de música clássica.
Rabiscado por Strange Little Girl - 3:08 AM -
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Cruel
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:19 PM -
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Paciência...
Resolvi não ceder à frustração! Não! Afinal, quem precisa de namorado pra se divertir? Saí de casa, comprei ingredientes para uma torta de Nutella e fui para a cozinha. A torta ficou muito ruim mesmo, mas pelo menos eu melhorei. Também aluguei alguns filmes. Vi "As Férias de Mr. Bean", que o meu irmão queria, apesar de não gostar. Nossa! Eu não lembrava do quão sem graça aquele sujeito era. Contei os minutos para o filme acabar. Também desisti da faxina por hoje, não aguento mais. Resolvi baixar os CDs daquele livro "1001 discos para ouvir antes de morrer". Vou tentar ouvir um por dia e fazer as minhas recomendações aqui. Tem tanta música que eu detesto por lá, mas eu vou resistir, vou ouvir os CDs inteiros e na ordem. Vamos ver no que isso vai dar.
Rabiscado por Strange Little Girl - 8:54 PM -
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Paciência?
Pois é, o dia começou bem. Acordei tarde, tomei banho, dei uma organizadinha no computador. Eu não ia fazer muita coisa em casa, porque meu namorado ia voltar de viagem e eu queria sair um pouco. Liguei para ele de manhã para saber se estava indo tudo bem (é a primeira vez que ele dirige em estrada) e ele disse "Oi! Tô dirigindo. Liga mais tarde." Eu deixei para ligar só depois do almoço, hora que talvez ele já estivesse em casa. Troquei de roupa, já estava pronta para sair quando eu liguei e ele me deu a infeliz notícia: "Ah! Eu ainda tô no interior. Volto amanhã". Que ódio! Eu quis morrer! Falei umas cinco palavras, disse "tchau" e praticamente desliguei na cara dele. Tá, eu sei que não foi culpa dele, foi um mega mal entendido. Ele tinha me mandado mensagem, mas o meu celular não é dos melhores. Meu dia acabou! Não tô com vontade de fazer nada! Não quero ver a minha mãe falando em "arrumar casa". Parece que do nada, a casa que estava linda e maravilhosa ficou horrível novamente. Meu irmão entrou no quarto do computador e tirou qualquer possibilidade de eu ficar lá trancada o dia inteiro ouvindo música. Agora não tem jeito.... vou organizar umas caixas velhas mesmo. Eu tinha que ligar para ele, pedir desculpas, mas ainda não consigo. Dá vontade de gritar um VOCÊ DESTRUIU O MEU DIA! E foi culpa de quem? Da irmã patricinha chata dele. Ai, ai, ai, eu tenho que ter paciência! Eu odeio quando eu acabo toda frustrada por bobagens. E a minha mãe ainda me diz: "Olha, agindo assim ele vai perder o carinho por você!" É, eu sei que vai! Eu sei que me odeio por estar assim. É, me odeio! Fico aqui parecendo uma emo sentimental, um bebê... ATITUDE! Afinal, agora ele deve estar lá comendo churrasco com os primos, já deve ter se esquecido de mim... Ai, e aqueles churrasquinhos são chatos! O povo fica enchendo a cara o dia todo. Se ainda fosse um povo que eu conhecesse bem, mas não é. Não gosto de ficar entre bêbados desconhecidos. Nossa, que mau humor...
Rabiscado por Strange Little Girl - 3:10 PM -
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Inglês
Existem poucos lugares que eu goste mais que a minha escola de inglês. Já passei nove anos lá, acabei o curso, mas ainda quero continuar. Não sei porque as pessoas reclamam tanto de cursos de inglês. O meu foi tão bom! Eu adorava aquelas discussõezinhas bobas em pares sobre assuntos polêmicos. Era a única chance que eu tinha na vida de conversar sobre eles! Podia falar sobre tecnologia, relacionamentos, perspectivas para o futuro, meio ambiente, coisas que me dão medo, infância, filmes, música, sobre praticamente tudo. No final das contas eu aprendi a me comunicar melhor sobre assuntos pessoais em inglês. É tão estranho, quando eu penso em relacionamentos ou coisas muito muito íntimas, eu penso em inglês! Mas voltando ao curso... foi bom. Eu fiz amigos interessantes, tive os melhores professores do mundo. Eu sempre saia de lá pensando: essa foi uma aula tão boa! E olha que eu ando detestando aula. Muitas vezes eu tenho vontade de tentar ensinar lá. Talvez algum dia eu vá. Quero aprender a ensinar com eles, mesmo que no futuro venha a ensinar qualquer química orgânica da vida. Adoro aquele método. Adoro aquelas pessoas. Eu tive tantas mães lá, tantas pessoas que me conheceram e me entenderam tão bem, ... pessoas tão parecidas comigo.
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:26 AM -
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Limpeza total
Não desisti de tornar a minha casa um lar. Já estou há dias limpando e organizando tudo por aqui, coisa que eu nunca fiz na vida. Ainda falta muito para fazer, já que praticamente ninguém além da minha mãe e empregada me ajudam, mas eu estou com vontade. Quero deixar esse lugar perfeito. Quero comprar móveis, quero viver em um lugar que não pareça uma casa abandonada dessas de filme de terror. Sabe o que é bom quando você começa a organizar tudo? As pessoas acabam se sentindo mal com a própria bagunça e começam a ajudar. E não é que até meu pai limpou coisa hoje! Ele deve ter ficado mal por causa do showzinho de ontem. Consertou computador, começou até a limpar o quarto dele, que mais parece uma montanha de papel velho. Um milagre! Não acreditei! Tomara que isso dure pelo menos uns três dias, tempo suficiente para ele se livrar de uma estante horrível, arrumar o quarto e comprar um teclado novo para mim. Depois ele pode até dar chiliques...
Rabiscado por Strange Little Girl - 2:15 AM -
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Pinheiro
Sei lá, eu gosto tanto de pinheiros... 
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:36 AM -
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Ufa!
As coisas melhoraram por aqui. No final não aconteceu nada, como sempre, mas eu nunca vou ficar feliz com essas situações. Elas me influenciam demais. Às vezes eu me deparo agindo daquele mesmo jeito explosivo, decepcionando todos a minha volta. E o que mais me aterroriza é ouvir um "Nossa! Você é igualzinha ao seu pai." Eu quero pular da ponte, quero sentir dor, quero que me façam chorar. Não quero acabar como ele. Eu até consigo me entender, mas não consigo entendê-lo. Se eu ajo assim é porque quero atenção desesperadamente. Será que ele quer alguma atenção? Bem, não sou eu quem vai dar. Tirando isso, eu vi TV! Eu nunca tenho paciência pra sentar no sofá e ficar vendo TV, mas hoje as coisas estavam tão chatas que eu fui. Assiti àquele "Do que as mulheres gostam". Era bem o tipo de comédia romântica bobinha que eu precisava ver. Deu para distrair um pouco. Agora só falta o sono aparecer. Eu não consigo mais dormir com esse calor. Não há ventilador que me faça tolerar essa sauna. Quero frio, muito frio! Fiquei feliz hoje, não cai no joguinho dele. Não xinguei, saí de cena. Tenho que aprender de vez a não ceder a todas as provocações. Não vale a pena.
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:17 AM -
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Violência doméstica
Minha irmã entrou agora pouco aqui no quarto. Disse que estava com muito medo do meu pai e me entregou uma cópia da chave da casa caso ele trancasse a gente aqui dentro. Ela disse que achava que ele teria coragem de matá-la. Eu disse que não. Ele não faz nada que estrague a sua reputação. Só xinga, bate, estraga todos os passeios... nada que não passe, nada que deixe marcas. Desse jeito ele pode dizer que não fez nada, que nós somos os loucos da família. Ela então disse que ele quase deu um soco nela. Eu quis tanto que meus pais se separassem. Minha mãe tem muito medo. Acha que ele tem influência o suficiente para atestar que ela é louca, que ela não tem condições de criar os filhos. Ela não quer perder a casa, não quer que nós vivamos com os loucos dos parentes dele. Odeio aquela família.
Rabiscado por Strange Little Girl - 6:44 PM -
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Problemas
Eu não resolvo meus problemas. Ando em círculos o tempo todo. Um problema leva a outro e todos levam à mesma coisa: à minha casa. Parece que todos os meus medos e defeitos têm origem nesse lugar. É só olhar em volta, ver meus pais e irmãos. Cada parte do meu desespero está em um deles. Como viver esses próximos anos? Não sei. Eu tenho que aguentar até o fim da faculdade. Não tenho como me sustentar, não tenho com quem contar. Ainda faltam tantos anos... Eu poderia parar tudo, trabalhar, sair, depois continuar o curso normalmente vivendo com o que eu tinha ganho ou com o que a minha mãe me desse. Mas isso não atrapalharia tudo? Não causaria um clima ainda pior em casa? Minha mãe me chama de egoísta. Diz que eu vou abandonar a todos enquanto ela vai sofrer a té o fim. Cansei de ser a santa da família... eu não tenho culpa disso tudo. *Aguentar, aguentar, aguentar*
Rabiscado por Strange Little Girl - 6:04 PM -
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Minha obsessão
Eu não aceitei perder um ano para passar no vestibular. Não aceito repetir disciplinas, não quero ficar atrasada no meu curso. E eu me estresso muito com isso, não consigo relaxar quando estou sob pressão, pois sei que eu não posso falhar. Eu tenho pressa. Quero ser independente, quero meu dinheiro, nada mais. Essa é a minha obsessão, é o desejo que me tormenta a todo tempo, porque eu não consigo aproveitar esses anos como aquelas pessoas que não têm compromisso algum com o futuro próximo. Eu quero sumir dessa casa desde que me conheço por gente. Quero fazer tudo o que meu pai nunca permitiu. Quero poder limpar toda a casa sem ter que deixar a bagunça dele de lado (ele não limpa e não deixa ninguém limpar). Quero poder trazer os meus amigos para um jantar. Quero ao menos poder apresentar meus amigos e namorado, sem ter medo de ouvir comentários imbecis a respeito deles. Quero poder comprar um vinho sem ouvir que sou alcoólatra. Quero poder colocar um quadro na parede. Quero poder falar ao telefone sem me trancar no quarto para ele não ouvir. Quero não ter que colocar senha em todos os computadores. Quero ter uma vida normal. E eu sofro muito por isso. Eu sei que, por não querer perder tempo, eu estou na realidade é perdendo muito desse tempo que nunca vai voltar. Mas não tem jeito, eu preciso sair, eu preciso ser feliz e eu nunca serei realmente feliz aqui.
Rabiscado por Strange Little Girl - 5:48 PM -
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Medo
Eu achei que tudo finalmente ficaria bem. Sempre detestei minha casa, nunca ajudei a lavar um copo, mas resolvi torná-la um lugar melhor, pois sei que vou continuar nela por um bom tempo. Passei dias e dias limpando tudo, organizando tudo, escolhendo móveis para comprar. Estava tudo, tudo perfeito... até todos os problemas voltarem. Agora eu estou aqui trancada no quarto, escondida, ouvindo música no último volume, com medo do que acontece lá fora. Eu não quero ouvir, não quero participar mais uma vez, estou cansada. Não quero que ele bata em mim, não quero que me chame de vagabunda, não quero ter quer rir da sua desgraça enquanto choro. Não quero ver meu pai. Ele é louco, doente. Inventa motivos para destruir a nossa felicidade. Não aceita que sejamos felizes. Ele está lá, andando de um lado para outro, dizendo que nós estragamos a sua vida. Disse que está morrendo de vontade de bater em alguém, que não importa se for para a cadeia. Disse que a minha mãe não pode sair no carro que ele comprou. Disse que ele não pode sair da casa que comprou. Sabe de uma coisa, ele podia quebrar tudo mesmo, podia bater em todo mundo, podia fazer o maior escarcéu. Só assim minha mãe pararia de ter pena dele, pararia de acreditar que um dia ele mudará e procuraria todas as formas de expulsar ele da vida dela. Ele destruiu a vida que ela poderia ter tido. Eu só quero ir embora, quero me livrar desse desespero, quero me livrar desse demônio.
Rabiscado por Strange Little Girl - 5:34 PM -
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