- Perfil -

Nome: Strange Little Girl
Local: São Paulo, SP, Brasil

paralleldreams1@hotmail.com

- 1001 CDs -

1 - Dire Straits - Brothers in Arms
2 - Liz Phair - Exile in Guyville
(Kylie Minogue - X - Advance)
3 - Fugazi - Repeater
4 - Dusty Springfield - A Girl Called Dusty
5 - Eminem - The Slim Shady LP
6 - Bruce Springsteen - Born in the USA
7 - Simon and Garfunkel - Bridge over Troubled Water
8 - Stevie Wonder - Innervisions
9 - Nusrat Fateh Ali Khan - Devotional Songs
10 - Aretha Franklin - Lady Soul
11 - Cheb Khaled - Kenza
12 - Nina Simone - Wild is the Wind
13 - Sheryl Crow - Tuesday Night Music Club
14 - Ravi Shankar - The Sounds of India
15 - Billie Holiday - Lady in Satin
16 - PJ Harvey - Rid of Me
17 - Peter Gabriel - So...
18 - Saint Etienne - Foxbase Alpha
19 - Kate Bush - The Dreaming
20 - Travis - Man Who
21 - Ice Cube - AmeriKKKas Most Wanted
22 - Joni Mitchell - Hejira
23 - The Who - My Generation
24 - Mamas and the Papas - If You Can Believe Your Eyes & Ears
25 - Queen - A Night at the Opera
26 - Depeche Mode - Music for the Masses
27 - Lucinda Williams - Car Wheels On A Gravel Road
28 - Elvis Presley - Blue Suede Shoes
29 - Deee-Lite - World Clique
30 - The Doors - Morrison Hotel
31 - Elastica - Elastica
32 - Sigur Ros - Agætis Byrjun
(Loreena McKennitt - The Mask and the Mirror)
33 - Kate Bush - The Sensual World
34 - Aretha Franklin - I Never Loved A Man The Way I Love You
35 - Suede - Dog Man Star
36 - War - The World is a Guetto
37 - The Chemical Brothers - Exit Planet Dust
38 - Sarah Vaughan - At Mister kelly
39 - Miriam Makeba - Miriam Makeba
40 - Bonnie Prince Billy - I See A Darkness
41 - Baaba Maal - Lam Toro
42 - Anita Baker - Rapture
43 - Harry Nilsson - Nilsson Schmilsson
44 - Suede - Suede
45 - Gorillaz - Gorillaz
46 - M.I.A. - Arular
47 - Carole King - Tapestry
48 - Madonna - Music
49 - Massive Attack - Blue Lines
50 - The Police - Synchronicity
51 - Massive Attack - Protection
52 - Portishead - Dummy
53 - Ray Charles - The Genious of Ray Charles
54 - Bob Dylan - Freewheelin'

- Meus CDs -

Tori Amos:
Little Earthquakes
Under the Pink
Boys for Pele
From The Choirgirl Hotel

To Venus And Back
Strange Little Girls
Scarlet's Walk
The Beekeeper

American Doll Posse
Welcome to Sunny Florida

Kate Bush:
The Kick Inside
Lionheart
Never For Ever
The Dreaming

Hounds of Love
The Sensual World
The Red Shoes
Aerial

Loreena McKennitt:
Parallel Dreams
The Visit
The Mask And The Mirror
The Book of Secrets
Live in Paris and Toronto
An Ancient Muse

Over The Rhine:
Patience
Good Dog Bad Dog
Amateur Shortwave Radio
Films for Radio
Ohio
Drunkard's Prayer
Trumped Child

Fiona Apple:
Tidal
When The Pawn...

Sinéad O'Connor
The Lion and The Cobra

Sarah McLachlan:
Mirrorball
Fumbling Towards Ecstasy

Dido:
No Angel

- Links -

Psiquê
Will you look into the future?
Meu infinito particular
Pensamentos - by Nathy
Pale november
Ariadne Celinne
Coiseando as coisas
Quimera
Unspoken words
O jardim dos gatos teimosos
Silêncio
Para o túmulo: crônicas anônimas
Miss Sunshine
Eu digo Ni
Mi introspectiva
Dark Delirium
Vida louca vida!
Neverland
Etc...
Mr. Sandman
Blog da Polly
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Metamorfose pensante
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This voice


I close my eyes and I can still hear your voice. It' so silent outside, you're the only thing I can hear, and it's so clear... It's as if you were talking to me. I love the way you speak. It reminds me of your smile, of your eyes. I can contemplate your face for hours and hours and I never can get enough of it. You're just so beautiful to me. You make me feel at home. You know exactly how to awaken my deepest feelings. All I want is to bring you home, to see your smile so close to me, to hold you tight in my arms. And I want to hear you voice, this voice... always, forever, my girl.

Rabiscado por Strange Little Girl - 11:39 PM - 0 comments


Um amigo


Essa noite eu pensei em você. Imaginei que estivesse aqui comigo. Nós caminhamos em um parque em um dia chuvoso. Nos sentamos perto de um belo lago e, ouvindo o som da água que caia de uma cachoeira, conversamos sobre todos aqueles assuntos tão triviais e tão importantes para nós. A chuva logo caiu. Nós corremos como crianças e, ensopados, chegamos felizes em casa para comer um delicioso fondue de chocolate e beber o melhor vinho. Ouvimos aquelas músicas que falam diretamente com as nossas almas. Assistimos a um bom filme. Rimos muito. Bebemos. Falamos sobre muitos segredos. Não falamos sobre muitas verdades, porém as entedemos melhor do que se tivéssemos falado. Não houve regras, não houve medo. Dormimos só na manhã seguinte, após horas e horas de conversa, horas e horas de uma compreensão profunda, de uma liberdade que só se pode existir entre os melhores amigos. Te adoro.

Rabiscado por Strange Little Girl - 10:39 PM - 0 comments


Nos próximos dez anos....


(Texto para o curso de inglês.)

Things I want to achieve in the next ten years

Reflecting about the future is like walking towards the unknown, an experience which is both frightening and exciting for every human being. What is to come is unpredictable. However, a successful future is unquestionably a result of one’s acts in the present. Because of this, I seek to live my life according to what I believe to be important for achieving my personal objectives in the best possible way.

Working is a perspective that still frightens me. I fear not being able to fulfill the requirements of knowledge and personality for having a satisfactory job. In ten year's time, though, I expect to have succeeded in reaching a position which provides me with personal satisfaction and money for leading a comfortable life. I deeply hope not to stop believing in true friendship even after having been a colleague of many professionals who use of dishonest means of earning money.

When it comes to my personal life, I hope to have lived every single moment intensely, to have made good friends and to have changed or accepted all the aspects of my personality which bothers me. I also expect to have reached the balance between reason and emotion and the stability which are necessary for becoming a mother and I look forward to be having the same healthy and trustful relationship I have at the present moment, even after being married for some years.

At one night by this time I wish to be sitting on a piano bench in my library, listening to good music and contemplating my books, my CD collection, my pictures and my garden through an open window from which the cold wind will be invading the room and will be making me long more and more for the wine and the fondue that will be ready by the exact time when my friends will start to arrive for our weekly meeting. In this moment I will know that I have finally fulfilled my aims.

These are my dreams for the future, the images that come to my mind give me strength to pursue them now and through the fore coming years. My biggest dream, still, is never to stop dreaming and finding new challenging objectives. After all, there is not a single person in the world who can live without plans and expectations.

Rabiscado por Strange Little Girl - 8:36 PM - 0 comments


Desafios


Eu amo desafios. Não consigo viver sem eles. A cada dia eu preciso me superar, preciso ir além dos meus limites. Eu admito, tenho muito medo de não conseguir e sofro muito por isso, mas mesmo assim sempre vale a pena tentar. Afinal, não há satisfação maior que alcançar aquele objetivo que parecia inalcançável. Conquistas fáceis não trazem satisfação. Boas mesmo são as difíceis, as que trazem lágrimas, as causam insegurança. Nesse aspecto, esse ano foi especial para mim. Eu comecei a aprender algumas coisas do zero, como a música. Tinha me esquecido do quão ruim era ser iniciante em alguma coisa. O processo de aprendizado é lento, cada passo parece quase impossível. A música foi uma lição para mim. Não é uma matéria de faculdade que você decora e esquece depois. Cada assunto precisa ser aprendido com profundade, não dá para tentar correr, não dá para deixar para a última hora. Foi difícil aceitar isso. Foi difícil ver as minhas limitações. Foi difícil perceber que eu teria que usar habilidades que eu nunca havia treinado. A única coisa que eu sabia fazer era estudar, ler, decorar. Agora... Tocar? Escutar? Voltei a ser quase uma criança. Foi como ser alfabetizada novamente. Um pouco frustrante, mas muito gratificante. E não foi só a música não. A faculdade foi difícil. Eu tive que aprender assuntos que pensei que não conseguiria. Estudei muito, muito mesmo. Tirei algumas das piores notas da minha vida. Tive minha primeira (e péssima) experiência profissional. Desisti do estágio, mas consegui superar todos os outros desafios e me sinto muito satisfeita por isso. Eu cresci muito esse ano, aprendi muito. Espero aprender ainda mais nos próximos anos...

Rabiscado por Strange Little Girl - 2:46 AM - 0 comments


Quando as pessoas mudam... para pior.


Outro dia eu viajei, fui assistir a formatura de uma amiga. Foi a maior decepção. Ela tinha sido a minha melhor amiga nos tempos de colégio. Eu me lembro tão bem dela. Era uma menininha gordinha, meio desajeitada, que andava com um pinjente de dragão gigante no pescoço e adorava escrever. Ela detestava o colégio, não se adaptava àquele lugar cheio de loirinhas populares. Ela nunca estudava, fazia de tudo para fugir das aulas, sempre tinha algum problema, mas quando chegava em casa as coisas melhoravam. Ela adorava rock, desenhos japoneses e video-game. Era metida a gótica, não falava praticamente nada sobre si mesma, mas era super boazinha. Às vezes eu chegava a subestimá-la bastante, achava ela inocente demais, diferente demais, mas eu gostava muito dela. Foi só ela entrar na faculdade que tudo mudou.

Eu não me lembro muito bem, mas acho que não foi preciso mais de três meses para que ela se tornasse outra pessoa. Eu simplesmente não a reconhecia mais. Ela tornara-se uma menina popular, arrogante, dessas que se preocupam mais com o corte de cabelo do que com qualquer outra coisa. A única coisa que ela conseguia fazer era enumerar todas as baladas em que ia, todas as festas que fazia, todas as bebidas que bebia. Nós não conseguíamos conversar mais, afinal, para ela eu não tinha vida, eu não curtia. O que importava eram os amigos da faculdade. Em casa ela só sabia mesmo era sair para fazer compras e fechar a cara, inconformada com a chatisse de todos o que estavam lá. Ela passou a abusar do cinismo. Não era mais desajeitada, agora tinha atitude, sabia lidar bem com as pessoas, valorizava os contatos.

Quando eu percebi a mudança, eu até me decepcionei um pouco, mas comecei a invejá-la de uma maneira quase doentia. Sim, ela tinha se tornado arrogante, mas ela tinha se encontrado. Ela tinha amigos, liberdade, uma vida ótima lá. Eram muitas tardes livres, muitas noites fazendo festa, passeando, se divertindo. Ela tinha amigos interessantes, desses que falavam besteira, que brincavam de verdade ou desafio, que bebiam, que ainda não queriam relacionamentos sérios. Eu sentia muita falta disso. Meus amigos da faculdade eram sérios, reservados. Eu sentia muita muita vontade de entrar em toda a festa, de dançar, de beber, de fazer todas essas coisas que eu não tenho coragem na vida real. Eu queria desesperadamente ser ela! Passei desprezar os meus amigos. Queria os amigos dela! Eu queria TANTO aquilo. Era o meu ideal. Era uma vida de adolescente, sem muitas preocupações com trabalho, sem família por perto e com muito, muito tempo para fazer tudo o que se quisesse fazer.

Pois é, e foi assim, a invejando muito, que eu fui para a tal formatura. O estranho é que não era nenhum tipo de admiração. Era inveja mesmo. Eu tinha perdido qualquer afeto que tinha por ela antes. Nem gostava mais dela. Ela me destratava, fazia eu me sentir mal. E era exatamente isso que despertava a minha inveja. Era como se ela fosse superior, como se fosse mais mulher, como se fosse alheia aos meus probleminhas imbecis. De alguma forma, eu queria que ela me visse novamente, eu queria provar pra ela que eu também podia ter uma vida! Ela tinha me chamado para a formatura e para a balada da noite. Então eu fui. Queria me divertir com ela e seus amigos perfeitos.

Eu, o irmão dela (meu namorado!) e a mãe dela acordamos às 4 da manhã para viajar. Chegamos lá às 9 horas. A casa dela estava uma bagunça. Ela estava lá sozinha com um garoto que a gente não conhecia. Eles se despediram, ela mal nos cumprimentou. Ela não se preocupou em nos receber, não ofereceu comida nem um lugar para a gente deixar as malas. Durante a formatura ela ficou lá com os amigos, fingiu que a gente não existia. Eu desisti, chamei meu namorado e nós fomos passear pela cidade. A noite as coisas já tinham tornado-se insuportáveis. A casa ficou lotada de patricinhas fúteis que só sabiam conversar sobre o tempo que normalmente demoravam para se maquiar. Ela era a pior delas. Fingia que não me ouvia, fazia os piores comentários possíveis, só sabia falar na tal balada. Nós fomos a um jantar, foi horrível. O pessoalzinho lá parecia ter 14 anos, as meninas usavam vestidos curtíssimos, todo mundo queria se aparecer. Ela perguntou se eu queria ir à balada. Eu disse que não. Tudo o que eu queria era dormir. Não queria jogar meus 40 reais no lixo. Preferia comprar cervejas caras, comer hambúrgueres, chupar sorvete, tudo, menos ficar perto daquele povo. Quando era quase meia-noite estavam todas as patricinhas, parentes e amigos naquela casa. Quando eu dizia que não ia na tal balada todos me olhavam como se eu fosse uma alienígena! A casa já estava imunda. Eu tive que lavar chão, arrumar colchão, achar cobertor e tomar banho na única toalha encharcada que ela tinha para conseguir dormir. No outro dia eu acordei, me troquei, tomei café da manhã na padaria, arrumei minha mala e fui embora. Ela nem se deu ao trabalho de dizer tchau, mandou a gente levar um cobertor gigante no ônibus e ainda reclamou que a gente não trouxe mais coisas de volta para a casa dela. Nem eu nem o irmão dela aguentávamos mais aquela casa. Os pais dela já tinham ido embora na madrugada do dia anterior.

Nossa! Foi um dia horrível. Eu nunca tinha imaginado que a menina que eu tinha invejado tanto era na verdade uma das pessoas mal educadas que eu já havia conhecido. Eu ainda me sinto mal por não ter tido algumas das experiências dela, mas não me arrependo de maneira alguma de ter mantido a minha personalidade, de ter mantido os meus valores. Eu sinceramente não quero a vida dela, não quero aqueles amigos arrogantes dela, não quero ficar perto dessas pessoas que não se importam com nada e com ninguém. Minha decepção foi imensa. Eu sinto muita falta da menina que um dia ela foi. Eu não quero saber daquela patricinha, não quero saber quantas vodcas importadas ela bebeu e quantos cigarros chiques ela fumou... Se ela mudar, eu voltarei a gostar muito dela. Se não, eu quero mais é que ela se exploda bem longe de mim.

Rabiscado por Strange Little Girl - 1:16 AM - 0 comments


Fechada


Eu vou ser sincera, tenho medo de falar sobre mim mesma. A cada dia eu sinto que vou me fechando mais no meu mundinho, que vou selecionando mais cuidadosamente quem pode me conhecer. Eu não sei mais o que devo e o que não devo falar. E isso me deixa muito decepcionada, parece que eu estou me rendendo ao mundo dos adultos profissionais com mania de perseguição. Eu, que sempre briguei com os meus pais quando eles diziam para eu nunca falar sobre os meus defeitos, sobre a minha família, sobre os meus traumas. Pois é, as pessoas que usam tudo isso para nos fazer mal realmente existem. Existem aquelas que não se importam com nossos sentimentos, existem as outras que desaparecem após saberem um pouco mais sobre as nossas vidas e existem as que usam toda a nossa sinceridade para nos torturar da maneira que mais nos afeta. E o que acontece? Todos acabamos fechados. Todos acabamso superficiais. Parece que simplesmente não adianta mostrar educação, dedicação, carinho, admiração para ser bem tratado. Às vezes são exatamente aqueles que têm consciência do nosso carinho e respeito que usam a nossa vulnerabilidade como instrumento de dominação, como forma de nos humilhar. E isso dói. Nada dói mais que o desprezo das pessoas que admiramos.

Eu tentei me dedicar tanto. Você percebeu a minha inocência, percebeu o meu entusiasmo inicial. E o que você fez? Lutou contra isso, destruiu toda a vontade que eu tinha de tentar. Você sabia que eu te admirava e sabia que eu levava meus compromissos até o fim. Eu te pedi desculpas quando não deveria, eu tentei te agradar quando me senti feliz. E o que eu levei? Levei o pior dos desprezos. Levei aquele desprezo consciente, calculado. Não foi uma mera distração. Você percebia meu sofrimento e tratava com descaso. Você percebia a minha confusão e fazia questão de não ajudar. Você atrapalhou muito a minha vida, sabia? Me inferiorizou, me humilhou sem ninguém perceber. Eu fugi. Nunca mais quero te ver. Mas também perdi muito da minha confiança nesse tal mundo adulto, nesse tal mundo profissional. Não sei mais quando alguém vai voltar a conhecer a minha inocente sinceridade.

Rabiscado por Strange Little Girl - 12:47 AM - 0 comments


Música



É, eu já devo ter dito milhares de vezes o quanto eu amo a música. Existem provavelmente poucas coisas que sejam mais preciosas para mim do que esses sons organizados. É muitas vezes como um ritual, como uma terapia. É a minha maneira de me encontrar nesse mundo louco. É a minha maneira de redescobrir sentimentos que ficam escondidos em algum lugar. É a minha maneira de me sentir em casa quando eu estou em algum lugar distante. Eu sempre adorei ouvir música, principalmente depois de encontrar artistas que parecem falar diretamente comigo. Também adoro estudar música, aprender instrumentos, principalmente o piano. Muitas vezes parece que podem me tocar pagode em um piano que eu vou conseguir gostar daquilo. E é, existe uma grande diferença entre ouvir música e tocar um instrumento. Eu me lembro que entrei no curso querendo ser igual aos meus ídolos, querendo aprender todas as suas músicas. Aos poucos eu fui percebendo que o que eu queria mesmo era ouvir tudo aquilo sendo tocado por aqueles artistas, não por mim. A magia daquilo estava neles. Mas mesmo assim eu não perdi o interesse pelo instrumento. Foi estranho. Aos poucos eu fui percebendo que o que eu queria tocar nem sempre era exatamente o que eu queria ouvir em um CD. Muitas vezes são coisas que eu jamais ouviria! Mas são coisas deliciosas de se tocar. É, eu estou adorando o meu curso. Eu tenho que admitir que eu sofro bastante nessa condição de iniciante. Detesto perceber que eu não sei mais que partituras simples, que técnicas simples. Eu quero sempre correr mais rápido que as minhas pernas. Bem, eu não nasci para aquilo. Se tivesse nascido eu estaria compondo algo por aí, estaria ganhando dinheiro! Bem, o que importa mesmo é que eu adoro aquilo, que eu me interesso, que eu quero sempre aprender.

Rabiscado por Strange Little Girl - 2:46 AM - 0 comments


Trabalho


Trabalho. Trabalho. Trabalho. Eu não consigo mais pensar em nada além de trabalho. Mesmo estando de férias há quase um mês, eu acordo e turmo praticamente todos os dias pensando na vida profissional que eu nem mesmo tenho. A idéia tornou-se uma obsessão. Eu sinto que vou enlouquecer a qualquer momento. É uma angústia constante, não passa, por mais que eu tente me distrair. Eu não consigo mais olhar para uma pessoa bem sucedida sem me sentir mal, sem invejá-la por ter se destacado. E eu nem mesmo sei bem porque isso está acontecendo. São tantos os motivos...

Tudo começou quando eu entrei na faculdade, há exatamente dois anos. No começo foi tudo muito lindo. Sabe, eu estava na tal melhor universidade do país e tinha passado direto. Imagine, eram todos aqueles parentes e professores me parabenizando por aquele grande feito. O problema é que a ficha caiu rápido demais. Eu logo percebi que aquilo tudo não tinha valor algum. Afinal, eu não precisava simplesmente saber as coisas para conseguir um bom emprego! Não! Na verdade eu mal ia usar esse conhecimento. Eu tinha é que ser lider, motivada, sociável, profissional... tinha que ter boas idéias, tinha que ter contatos, tinha que ser "esperta"! Nada conseguiu me assustar tanto. Afinal, nem o tal conhecimento era fácil de se obter. As provas ficaram difíceis, os professores ficaram péssimos e eu logo percebi que não passava de uma aluninha medíocre no meio de toda aquela gente.

E o que fazer para deixar de ser medíocre? É claro! Observar o comportamento dos outros! E foi o que eu fiz... e fiz novas descobertas. Conclui que para conseguir o tal emprego eu deveria lotar o meu currículo de estágios, iniciações científicas e cursos. Tinha que falar inglês perfeitamente e provavelmente outra língua. Tinha que saber informática. Tinha que conhecer pessoas. Tinha que arrumar um estagiozinho para depois consegui um estágio bom e é claro, sair de lá com um emprego, porque era dificílimo conseguir algo depois de terminar a faculdade. Tudo bem, tudo isso talvez fosse possível se eu estudasse no período notuno, e não no integral! No meu caso, o jeito era cumprir créditos intermináveis e ainda conseguir notas ótimas para ter uma chance de passar disciplinas para o período noturno e trabalhar de manhã para encher currículo. Foi aí que apareceu a minha primeira grande questão: devo me tornar a profissional perfeita ou ter vida social? Era uma coisa ou outra. Escolhi obviamente, mas com muito sofrimento, a última opção.

Pois é, eu tenho uma vida social! Tenho meu grupo de bons amigos e um namorado excelente. Quase não assisto aulas e só estudo para as provas. Troco facilmente a faculdade pelo bar, pelo shopping, pela cama, pelo mp3, pelo carro, pelo parque, por qualquer coisa! Mas estudo. Minha média é decente, nunca peguei DP, até dizem que eu sou uma boa aluna. Eu me divirto bastante, vivo até que bastante, mas nada disso diminui o meu medo do tal bicho-papão chamado mercado de trabalho. Afinal, eu não consegui me tornar popular! Não consegui gostar de jogar bola com as pessoas da faculdade. Não consegui achar aquelas baladas com bebida diluida a maior maravilha do mundo. Não tive vontade de fazer pate de nenhum grupo acadêmico, de ajudar em nenhum evento, de fazer trabalhos comunitários. A última opção que me restava era conseguir o tal estágio. E foi o que eu fiz.

Na realidade, o estágio surgiu em uma época bem complicada. A realidade é que eu gosto e detesto aquele curso. Eu gosto de química e biologia, mas não gosto de química e biologia 12 horas por dia! Eu simplesmente tenho pavor da idéia de passar TODO o meu tempo fazendo aquilo: manhã, tarde, noite, feriado, fim de semana. Eu amo estudar música, praticar o meu teclado, aprender línguas, cozinhar doces! Amo conversar com pessoas da área de Humanas... atores, músicos, publicitários, sociólogos, historiadores. Eu me sinto em casa com essas pessoas! E parece que a faculdade rouba todo o meu tempo. Eu não quero viver assim. Quase saí de lá duas vezes esse ano. Foram crises grandes mesmo. Na primeira eu resolvi vencer meu medo de chefes e procurar um estagiozinho lá mesmo. Era a minha última chance! Ia fazer o que tinha me levado até aquele curso: pesquisar na área de bioquímica e biologia molecular.

E o que aconteceu? Foi uma catástrofe total! Eu sobrevivi àquilo por uns 8 meses. No começo foi bem interessante... foi assim até eu perceber como aquelas pessoas eram loucas. O pessoal trabalhava mais de 10 horas por dia, muitas vezes fim de semana e feriado em projetos que muitas vezes não davam certos! Eram tantas, tantas semanas perdidas, tantos erros, tanta pressão para conseguir os resultatos, tanto trabalho repetitivo. E eu ainda tive o azar de pegar um dos piores tipos de orientador: aquele que é educado, "cidadão de bem", trabalha o tempo todo, não tira férias e arruma um jeito bem sutil de te torturar lentamente e de te lembrar o tempo todo que sim, você não é nada mais que o estagiário. Foi simplesmente horrível. Eu saí de lá acabada, confusa, chorei muito. Aprendi lições, é claro. Aprendi a não mostrar para as pessoas erradas o que me incomoda, do que eu tenho medo. Aprendi a importância do tal profissionalismo. Aprendi que não dá para levar todas as coisas para o lado pessoal. Aprendi que não se deve mesmo tentar ser muito amigo de colegas muito próximos de trabalho. E é claro, aprendi que detesto ser a estagiária, que detesto fazer o trabalho forçado, que detesto que abusem da minha ignorância.

Pois é, o tal estágio muito provavelmente foi o gatilho para toda essa ansiedade. Para mim foi um choque! Eu sempre tinha me dado super bem com professores, sempre tinha estudado, sempre tinha tirado notinhas boas, sempre tinha sido bem sucedida em tudo o que tentasse. Lá não deu. Eu fui criança demais, sentimental demais, fui quase um livro aberto. Não consegui me interessar por aquelas coisas, não tive vontade de ler aquela papelada chatíssima toda. E pior: descobri que a razão para eu entrar no tal curso havia sido um grande erro! O DNA era mágico só nos livros mesmo, não na prática. E é assim para biologia e química também... eu adoro saber aquilo, adoro fazer os execícios, mas odeio laboratório fedido e não consigo matar ratinhos.

O que fazer? Eu juro que não sei. Ainda não tive coragem de sair. Na verdade, nunca encontrei algo melhor para fazer. Eu não sei o que mais fazer. Eu não sou talentosa o suficiente para música, não sou ousada ou criativa o suficiente para a cozinha, não sou comunicativa o suficiente para o ensino. Por enquanto estou lá mesmo, mas não sei bem que decisões tomar. Às vezes eu tenho vontade de parar por um tempo e me dedicar a outras coisas antes de entrar de cabeça no mundo profissional. Essa provavelmente é a minha última chance. A única coisa que eu sei é que eu não vou ser nem fazer o que o tal mercado quer que eu faça. Eu passo 8 anos na faculdade mas não trabalho 12 horas por dia, sábado e finjo que estudo aos fins de semana. Não dá! Eu não amo aquilo, não quero viver para aquilo, não quero ser escrava daquilo. Eu só sei que ainda é difícil superar a minha primeira derrota, o tal estágio. Eu me sinto uma criança por tudo o que aconteceu... me sinto tão despreparada. E devo mesmo ser. Afinal, foi a minha primeia experiência nisso tudo em meio há colegas que são bem mais velhos, alguns vindo de mundos completamente diferentes, outros muito bem acostumados com a vida real.

Pois é, o texto ficou gigante, nem vi o tempo passar. Eu só sei que a tal angústia sumiu por completo, pelo menos por enquanto. Ela volta, eu sei... só espero que ela não volte a me incomodar tanto como nesse último mês!

Rabiscado por Strange Little Girl - 12:58 AM - 0 comments


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