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Elas
Elas me perseguem. Estão o tempo todo atrás de mim. Eu sinto a sua presença, mas elas falam tão pouquinho comigo. Nos últimos meses elas vêm me dizendo constantemente: "Algo está errado. Algo está errado." Eu entendo isso, me viro e sempre tento perguntar: "Então, o que é certo?". Nesse momento elas desaparecem, não me dão resposta alguma. Daí eu me perco, quero fugir, quero desaparecer! Faço a mesma pergunta para várias pessoas e ninguém, ninguém me mostra um caminho. Só eu posso encontrá-lo. Então eu me volto para elas, quero perseguí-las, mas não tenho confiança, não acredito em mim mesma. Elas são a música, a escrita, a dança, a psicologia, a sociologia, a opinião, a criatividade, a diversão. Eu as amo demais, mas tenho medo. É um caminho muito difícil, é tudo o que eu nunca acreditei ser. Eu não tenho talento, não tenho criatividade, não me dedico a nada desde os cinco anos de idade. Escolhi trabalhar com outras coisas, mais simples e seguras, mas que não são elas, aquelas que me dão prazer. E elas são ciumentas e me torturam demais ao me avisar que sim, algo está errado. Mas o que eu devo fazer? Devo deixar tudo como está? Devo tentar encotrar um tempo para satisfazê-las? Devo largar tudo e me arriscar por elas? Não sei, estou perdida. Vem cá, me dê a sua mão, me mostre o caminho, preciso muito dos seus conselhos...
Rabiscado por Strange Little Girl - 9:38 PM -
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Strange Little Girl
Vídeo antigo, antigo para mim. Um dos primeiros que eu vi. Tem gostinho de adolescência, de 14 anos. Eu me vejo nessa mesma cadeira, nesse mesmo computador, mas com uma visão de mundo diferente e uma imensidão de sentimentos que hoje não existem mais. A propósito, a música é ótima também.
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:08 PM -
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Não fale
Não fale, palavras não expressam quem realmente somos. E não se preocupe, eu vou te entender. Vou te entender pelo seu olhar, pelos seus gestos, vou saber o que está acontecendo dentro de você. Se eu não conseguir, tudo bem, pode desenhar, dançar, compor uma música ou escrever um texto, contanto que ele não seja direto. Só não fale. Sinta, sinta muito. Deite aqui comigo e com todos os nossos semelhantes. Veja as estrelas e a lua no céu, ouça o barulho da água, sinta a grama embaixo de você e essa briza fresca que passa por nossos rostos. Feche os olhos. Chegue naquele estado entre o sonho e a consciência, em que todos os seus sonhos aparecem e todos aqueles desejos reprimidos resolvem se mostrar. Deixe que os nossos pensamentos se encontrem com os de todas essas pessoas, deixe que a informação flua pelo ar, deixe que todos nós encontremos a paz e a compreensão. Chore, sorria, abrace, demonstre tudo aquilo que está sempre escondido. Libere-se do seu ego, entre naquele limiar entre a sanidade e a loucura. Eu sei, você tem instintos, tem segredos em que se recusa a acreditar. Não revele todos, nem se culpe por eles, apenas aprenda a lidar com eles. Mantenha o mínimo de sanidade, pois muita loucura pode ser perigoso. Agora você pode tentar falar, mas não tente formar frases bonitas, não tente passar muito pela consciência, senão os muros retornam e todos nós voltamos a ser diferentes. Aqui nós somos iguais, não temos profissões, interesses ou gostos, não temos críticas. Somos apenas sentimento, aqui nós nos entendemos.
Rabiscado por Strange Little Girl - 11:07 PM -
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Sintonia
Nós somos como estações de rádio, que transmitem suas ondas em uma exata frequência para todos os lados. Também temos receptores, mas estes têm alguns problemas e conseguem captar apenas algumas poucas frequências. E é estranho, a completa sintonia entre duas estações é rara. Às vezes a informação vem cheia de ruidos que mal se consegue ouvir, às vezes apenas uma estação consegue a sintonia, a outra não. Normalmente não há nem ruídos, e mal se sabe que aquela estação existe. É possível solucionar alguns dos problemas, trocar as antenas e conseguir uma sintonia melhor, mas isso exige um grande esforço. E mesmo que se consiga, a outra pessoa pode simplesmente não gostar da informação: deve-se investir muito em propaganda e em um bom conteúdo, senão a audiência vai embora. O número de receptores e a qualidade de transmissão também variam muito de pessoa para pessoa. Por que isso acontece? Não sei. Só queria que me informassem quais são os donos dos melhores receptores para as minhas informações, assim não perderia tanto tempo em um bom programa que jamais seria escutado.
Rabiscado por Strange Little Girl - 10:43 PM -
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Dois anos (17/11)
Meu lindinho, eu só queria te dizer que eu te amo muito e que esses últimos dois anos foram maravilhosos. Você me mostrou o que é ser feliz com uma pessoa de verdade, o significado da palavra "felicidade" fora das minhas próprias fantasias, dentro do mundo real. Eu ainda quero passar muitos, muitos dias ao seu lado. Não todos, porque todo mundo precisa de um tempinho para si mesmo, mas ainda assim, muitos. Quero poder passar naquela rua perto do colégio e não ouvir você dizendo: "E aí, qual apartamento você vai querer comprar?" e sim: "Agora chegou a hora de comprar, vamos escolher um?". Bem, acho que nem quero um apartamento, quero uma casa com jardim, uma fonte pequena e que passe aquela sensação de "lar doce lar". A nossa casa. E pode ter cachorro sim, quem sabe você consiga me fazer gostar deles? Mas eu faço questão dos meus gatinhos. Vai ser uma casa linda.Vai ter uma estante imensa de livros, uma banheira, um monte de eletrônicos, enfeites, quadros e tudo mais o que a gente quiser. Também vai ter muitas noites com sushi e Loreena e também muita Tori, porque eu duvido que esse vício irá ma abandonar. Também vai ter a Loreninha (E se for menino? Não vai ter nome?) correndo pra lá e pra cá. Ela vai ser fofinha, mas eu ainda preciso aprender muito para poder pensar em ser mãe. Quanto a você eu não tenho dúvidas, você vai certamente ser o melhor pai do mundo, aquele que a minha mãe espera para os seus netinhos. A gente ainda vai ser muito muito mais feliz.
Rabiscado por Strange Little Girl - 11:28 PM -
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Piece by Piece
 Um mês de espera. Quase que não encontram no estoque. Mas no final a sorte foi maior e eis que eu recebo um simpático e-mail da Saraiva dizendo que o meu livro havia sido encontrado e enviado. Chegou hoje umas cinco horas da tarde enquanto eu lutava contra a química orgânica em troca de algum conhecimento. Quase desisti da química, mas persisti, o livrinho lá do meu lado pedindo para ser lido! Comecei a ler há umas quatro horas. Achei que leria rapidinho, mas não consegui passar da página 15. Não, o livro não é ruim, é EXCELENTE. Mas é complicado, bem complicado. É claro, não é uma autobiografia comum... é uma mistura de mitologia, psicologia, história e muitos, muitos símbolos - nada muito incomum para Tori Amos, é claro. Agora para uma aspirante a farmacêutica como eu a coisa complica um pouco. Sabe, umas duas lidas em cada parágrafo. Tudo bem, estou adorando. Vou carregar este livro comigo pelo próximo mês. Quero prestar atenção em cada linha, em cada momento da vida ou idéia dessa mulher que eu tanto admiro. Tenho muito aprender. É um livro extremamente recomendado para qualquer apreciador dessa cantora/compositora/pianista e todas as suas "viagens" que certamente, mesmo que não pareça, fazem muito sentido.
Rabiscado por Strange Little Girl - 10:57 PM -
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As pessoas não querem se conhecer?
Às vezes eu tenho a impressão de que existem muitas pessoas que não querem conhecer os outros nem serem conhecidas. Não chamo de conhecer passar o dia inteiro com uma pessoa, conversar sobre trivialidades e passear aos fins de semana. Falo do interesse em conhecer os detalhes mais importantes das vidas das pessoas: suas crenças, seus sentimentos, seus traumas, seus sonhos, suas visões de mundo. Isso não parece interessar a ninguém. Eu ando com o mesmo grupo de amigos há mais de seis meses e sinceramente sinto que não os conheço. Não sei o que se passa por aquelas cabeças. Ninguém aceita o "jogo da verdade", ninguém mostra o que realmente é. Existe sempre uma explicação: essas coisas são pessoais. Pessoais o escambau! Todo mundo resolveu ter mania de perseguição de uma hora para outra? Ninguém mais precisa de ninguém? Todo mundo se esconde por trás de um muro, finge ser o que não é e ainda quer ter uma boa relação com as outras pessoas? Isso só nos torna a cada dia mais solitários, deprimidos, distantes de todos que estão a nossa volta. Bem, pode ser que eu esteja errada. Pode ser que essas pessoas realmente sejam bem resolvidas o suficiente para não precisarem de ninguém. Pode ser que eu seja excessivamente sentimentalista. Eu só sei que toda essa impessoalidade me sufoca, me sufoca muito, é como se tivessem tirado a minha voz e eu não conseguisse dizer mais nada. É claro, não digo que a gente deve expor nossos segredos em um mural de recados, mas em uma relação de amizade pelo menos um mínimo conhecimento mais profundo da vida da outra pessoa é necessário. Mesmo que eu me divirta muito com uma pessoa e converse com ela todos os dias, ela ainda vai ser somente uma colega enquanto eu não conhecer um pouco do seu lado interior. É por isso que às vezes eu faço amigos tão mais facilmente pela internet ou conversando individualmente com as pessoas. Às vezes eu nem conheço o lado "divertido" de determinada pessoa, mas conheço o resto, aquilo que realmente importa e sei que ela vai me ajudar quando eu precisar. Essa pessoa é minha amiga. Eu me interesso tanto pela mente das pessoas, pelos seus sentimentos. Devia ter estudado psicologia, isso sim. Elas nem precisam ser parecidas comigo, só precisam ser pessoas sinceras. Se todos os meus colegas de classe aparecessem com blogs pessoais eu leria todos para tentar entender a vida de cada um e assim me livrar de preconceitos que esse convívio impessoal cria e fazer novos amigos de verdade. Mas não dá, às vezes as pessoas fingem tão bem que parecem não sentir absolutamente nada. Isso me desespera. Será que é só eu que preciso falar???
Rabiscado por Strange Little Girl - 10:27 PM -
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Será que Freud explica?
Essa noite eu tive um sonho meio tenso. Eu estava no quarto do meu namorado, a mãe dele estava junto. Eu ficava gritando: NÃO! VOCÊ NÃO VAI SAIR COM ELES! VOCÊ VAI FICAR AQUI COMIGO! Pelo que eu me lembro, ele e a mãe iam sair com a família. Eu dizia que eles não eram legais, que não era para ele ir. Estava irritadíssima. Ele tentava me convencer de que seus primos eram boas pessoas e o passeio ia ser bom, mas eu não queria aceitar. A mãe dele olhava para mim como se estivesse ignorando tudo o que eu estava dizendo. E aquilo me irritou ainda mais. Eu gritava, esperneava, xingava tudo de todos os nomes. Todo mundo me ignorava. Eu acordei no susto com a minha mãe dizendo: "5:20 da manhã, hora de tomar banho". Estava na maior adrenalina, parecia que eu ia prestar um vestibular em 10 minutos. Fiquei sem entender nada. Foi bizarro! Tudo bem, eu realmente me irrito muito quando me ignoram, mas o resto da história não fez sentido algum. Eu gosto da família dele e não sou possessiva. Vai entender... O pior foi contar a história para a minha irmã e ouvir: "Ah, do jeito que você é isso é bem capaz de acontecer!". Foi a pior coisa que eu ouvi no dia! Fiquei meio deprimida... o que diabos ela pensa que eu sou? Ela nem me conhece.
Rabiscado por Strange Little Girl - 9:31 PM -
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As duas de mim
 Eu estava aqui lendo alguns textos lindos em outros blogs sobre a amizade, a infância e tudo mais quando tive uma estranha sensação: tudo o que eu escrevo parece um monte de reclamação de alguém que precisa de terapia! Quanto à terapia, é capaz que seja verdade, mas as coisas não são tão ruins, hehehe. Eu só não consigo escrever bonitinho, prefiro sentir esses momentos. É quase que impossível para mim me sentar aqui e escrever: "Eu amo muito muito o meu namorado, ele é a pessoa mais importante do mundo para mim!" apesar disso ser verdade. Não sei, simplesmente não sai! Mesmo assim, eu acho que 80% do tempo para mim é só felicidade, é só conversa sem sentido com os amigos, passeios, filmes, livros, muita comida gostosa, abraços, diversão. Eu me considero plenamente feliz, mas narro normalmente aqueles 20% aparentemente ruins nos quais estão contidos muitos fatos importantíssimos para mim. É assim... devem existir duas de mim. Eu sozinha e eu acompanhada. A primeira é mais introspectiva, mais saudosista, mais cheia de dúvidas e problemas... a útima é mais alegre, mais comunicativa apesar de às vezes ser insuportável! Como eu não escrevo acompanhada, sai o que está nesse blog mesmo.
Rabiscado por Strange Little Girl - 7:41 PM -
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Fugi
Fugi da aula, estava sem paciência. Passei duas horas e meia tentando resover um exercício que nem eu, nem ninguém mais tinha a menor idéia de por onde começar. Fiz cinco vezes a mesma equação para descobrir que estava usando um valor errado. Entrei na sala de aula, estava terminando uma correção de exercícios de química orgânica (matéria cujas aulas eu me recuso a assistir), eu olhei para a lousa e percebi que nem sabia sobre que assunto tudo aquilo era! Eu sei que no final dá tudo certo, eu aprendo e faço a prova, mas naquela hora eu tive aquela adorável sensação de "Eu não suporto mais tanta coisa para fazer!". Arrumei a mochila, fui embora. Na realidade não foi exatamente esse o motivo da minha fuga: eu não estava bem. E provavelmente foi tudo culpa dela, da inveja. Tem uma menina no meu grupo. Ela tem uma família gigantesca e pais que respeitam sua independência, jamais sairia de casa. Ela também frequenta todas as baladas e é cercada de amigos que a adoram. Ela se diverte demais e parece se preocupar muito com seus momentos felizes e com as pessoas do que com os estudos em si, apesar de eu ter certeza que é ela quem se dará melhor na vida que todos nós. Ela também trabalhou durante a adolescência inteira e fez todas aquelas viagens que sempre estiveram nos meus sonhos. Ela é a menina grande do grupo, apesar de não ser a mais velha. Além disso, ela está sempre, sempre de bom humor, não tem muitos preconceitos, conversa com todo mundo e resolve todos, todos os problemas. Não teve jeito. Hoje eu tive que reparar nisso tudo mais uma vez. Tive que me lembrar de todas as festinhas delas que sempre parecem melhores que as minhas (apesar de eu não trocar as minhas por nada), tive que me lembrar de todos os problemas que ela resolve em poucos segundos enquanto eu faço de tudo para ignorá-los para não precisar conversar com ninguém, tive que me lembrar do quão facilmente ela conversa com aquelas pessoas que eu julgo mal por causa de comentários alheios. Eu realmente me senti mal e continuo assim. Queria ser outra pessoa... Queria ter mais confiança nas pessoas, acreditar que a maioria delas também tem problemas, dificuldades e boas intenções em relação aos outros. Só não sei como fazer isso.
Rabiscado por Strange Little Girl - 6:14 PM -
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Confissão
É engraçado, sempre que eu penso em algo que é realmente pessoal todas as palavras me vêm em inglês. Deve ser simplesmente algum tipo de refúgio, eu me escondo por trás de uma língua que não é a minha. Ou é o resultado do fato de eu ter dito todos os meus "segredos" adolescentes pela primeira vez nessa língua. Eu não escrevo bem em inglês, mas eu me expresso melhor. Sete anos de curso, muito mais gramática do que eu sei na minha própria língua e todas aquelas redações obrigatórias... é nisso que dá! Vou tentar fazer uma versão traduzida to último texto sem sentido que eu escrevi. Foi coias de fluxo de consciência, memórias importantes que foram parcialmente superadas, esse tipo de coisa. ------------------------------------ Havia essa mulher quando eu tinha 10 anos. Ela era tão incrível, tão cheia de vida, uma linda e misteriosa contadora de histórias - a perfeita mãe. Eu queria salvar a sua vida, eu queria aquela oportunidade que acontece uma vez na vida para fazer algo ótimo a ela de forma que ela ficasse para sempre agradecida àquela garotinha. Aquele era o meu único modo de dizer "Você é importante para mim." e mostrar para ela que eu realmente queria dizer aquilo. Eu queria descobrir mais sobre aquele ser humano, sobre o que estava dentro daquela cabeça. Não havia nada sexual naquilo, mesmo que alguém pudesse ter pensado isso. Mesmo assim havia algum tipo de obsessão, um desejo de seguir caa passo dela. Aquilo fazia eu me sentir completa... eu tinha tanto para dizer. Eu tenho serteza que eu devo ter me tornado "a esquisita" em muitas conversas daquelas pessoas que um dia eu considerei minhas amigas. Por que o amor deve ser padronizado? Eu já amei professores, cantores, pessoas que eu só conhecida pela internet, garotos, garotas. As pessoas são cruéis, garotinhas são cruéis. Por que elas tinham que me seguir por toda a quinta série? Por que elas eram populares por desrespeitar as pessoas e rir delas? Por que elas fizeram eu me sentir tão fraca, tão pequena? Eu queria fazer com que elas sofressem, eu queria rir delas no mesmo tom violento e destruir cada um dos seus sonhos. Eu não pude fazer isso, eu estava sozinha, eu só chorava. Merda! Eu não tinha feito nada errado. Muitas coisas aconteceram durante aquela época, mesmo eu podendo me lembrar exatamente delas. Eu vi um vídeo em que eu aparecia alguns dias atrás. Eu era uma criança pequena. Eu fiquei tão surpresa quando eu vi aquilo... eu era extrovertida, eu era feliz, eu tinha orgulho de mim mesma, eu cantava e dançava na frente daquele "buraquinho" da câmera. Algo definitivamente me aconteceu quando eu ainda era pequena. Pessoas, pessoas nojentas, elas não deveriam existir. Se existe algo que eu nunca aceitaria de um filho meu é a crueldade e o desrespeito por outras pessoas, não importa o quão diferentes elas sejam. Isso dói, isso dói muito. Mas havia coisas boas... havia a minha mente, havia a minha imaginação, havia o meu pequeno grande segredo que me levava para um lugar diferente e me trazia toda a alegria que eu precisava. Eu era inocente, eu assistia a desenhos enquanto fazia aquelas coisas que ninguém podia ver. Daí havia aquela cantora que dizia "and I'm so lonely I don't even want to be with myself anymore" me me disse "don't slide". Ela logo ficaria feliz, e sem graça. Mas eu encontrei este pedófilo fanático religioso na internet que fez eu me sentir tão orgulhosa de mim mesma. Eu queria transar com ele desesperadamente embaixo de uma árvore linda em um dia chuvoso. Eu o amava, eu contei para ele tudo o que estava na minha mente, ele conversava comigo durante horas na tentativa de me convencer a rezar, me casar virgem e comer só aquilo que Deus desejava ao mesmo tempo que ele me dizia todo tipo de obscenidade. Ele provavelmente se arrependeu de tudo aquilo e passou a me tratar como uma pedra. Eu continuei desejando aquelas obscenidades por mais de um ano. Eu queria que ele mudasse novamente, eu queria aquele homem que um dia eu amei. Ele estava lá na minha mente, em todo lugar onde eu ia, em toda imagem que eu via. Sabe, ele me "amava", mas ele não podia ficar comigo. Ele era um filho da puta, um dos piores homens que eu já conheci. Ele não batia em mulheres, mas batia nelas psicologicamente com seus joguinhos sado-masoquistas: "Eu realmente te amo, mas minha cultura não permite que eu fique com você, eu sempre te disse isso, eu queria comer você, mas eu te disse que eu não podia ficar com você". Que Don Juan barato. Eu tinha 13 anos quando tudo isso começou. Graças a Deus eu nunca conheci aquele homem. Eu cresci, me tornei um pouquinho mais normal e conheci meu namorado, exatamente o contrário do primeiro homem que eu amei: uma pessoa que se importa com as outras e tem respeito por elas. Eu não estou mais sozinha. Eu descobri que aquele meu pequeno grande segredo também era o segredo de todo mundo, mas o meu era só meu, mesmo eu tendo perdido aquela inocência dos tempos antigos. Um professor, um cantor, uma garota ou um amigo às vezes invadem a minha mente de um jeito não mais tão inocente. Eu provavelmente nunca colocaria tudo isso em prática, eles são apenas personagens da minha mente, mas eu não me sinto mais fraca, envergonhada ou confusa. Eu estou absolutamente satisfeita com toda a esquisitisse que o meu cérebro é capaz de criar e eu realmente quero compreendê-lo mais e mais a cada dia.
Rabiscado por Strange Little Girl - 10:23 PM -
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Aula de físico-química
No meu caderno: "K1 e K-1 não são muito mais grandes que K2."
Rabiscado por Strange Little Girl - 7:41 PM -
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Confession
 Bem sem sentido, no fluxo de consciência... There was this woman when I was 10. She was so amazing, so full of live, a beautiful and mysterious story-teller - the perfect mother. I wanted to save her life, I wanted to have that one-in-a-life opportunity to do something great to her so that she would always be thankful to that little girl. That was my only way of saying "You are important to me." and showing her I really meant that. I wanted to find out more about that human being, about what was inside that head. There was nothing sexual about that, even though one could probably have thought that. Even then there was some sort of obsession, a desire to follow every step of hers. It would make me feel complete... I had so much to say. I'm sure I must have become the "weird one" in many conversations from those I once considered as my friends. Why does love have to be standardized? I have already loved teachers, singers, internet people, boys, girls. People are cruel, little girls are cruel. Why did they have to follow me all the time at the fifth grade? Why were they popular for disrespecting people and laughing on them? Why did they make me feel so weak, so small? I wanted to make them suffer, I wanted to laugh on them in that same violent tone and destroy each one of their dreams. I could not do it, I was alone, I would only cry. Shit! I had done nothing wrong. Many things happened during that time, even though I can't exactly rememebr them. I saw a video of myself some days I go. I was a small child. I was so surprised when I saw it... I was an extrovert, I was happy, I was proud of myself, I would just sing and dance in front of that "small hole" of the camera. Something definetely happened to me when I was still a child. People, disgusting people, they should not exist. If there is something I would never accept from a child of mine is cruelty and disrespect towards other people, no matter how different they might be. It hurts, it really hurts. But there were good things... there was my mind, there was my imagination, there was my little big secret that would take me to a different place and bring me all the happiness I needed. I was innocent, I would watch cartoons while doing those things no one else could see. Then there was that singer who said "and I'm so lonely I don't even want to be with myself anymore" and told me "don't slide". She would soon become happy, and boring. But I met this religious fanatic pedophilian man on the Net who would make me feel so proud of myself. I wanted desperately to have sex with him under a beautiful tree on a rainy day. I loved him, I told him everything that was on my mind, he would talk to me from hours and try to convince me to pray, be a virgin until I got married and eat only what God allowed while he would tell me all sorts of obcenities. He probably regreted that and treated me like a stone. I kept desiring those obcenities for more than one year. I wanted to make him change again, I wanted that man I once loved. He was there on my mind, at every place I went, on every image I saw. You know, he "loved" me, but he couldn't be with me. He was a son of a bitch, one of the worst men I have ever known. He would not hit woman, but he would hit them psychologically with such sado-masochist games: "I really love you, but my culture does not allow me to be with you, I have always told you that, I wanted to fuck you, but I told you I could not be with you". What a cheap Don Juan. I was 13 when this all began. Thanks God I have never met that man. I grew up, I became a little bit normal, I met my boyfriend, the exact opposite of the first man I loved: a caring and respectful person. I am not alone anymore. I have found out that my little big secret was also everyone's secret, but mine was only mine, even though it lost that innocence from the old times. A teacher, a singer, a girl or a friend sometimes invade my mind in a not so innocent way anymore. I would probably never put it into practice, they are only characters from my mind, but I don not feel weak, ashamed or confused anymore. I am absolutely satisfied with all the weirdness my brain is able to create and I really want to understand it more and more each day.
PS: Texto pessoal, não sai na minha língua.
Rabiscado por Strange Little Girl - 6:22 PM -
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E se eu fosse rica?
 Se eu fosse rica eu provavelmente trabalharia para poder me sentir útil, mas só faria aquilo que realmente me desse prazer. Eu não me importaria em não ter certos talentos ou habilidades para me dedicar a algum assunto que não oferecesse uma boa expectativa de trabalho, exceto para os melhores profissionais. Eu estudaria, estudaria muito. Leria todos os livros que julgasse interessante, assistiria a todos os filmes que tivesse vontade, iria a teatros, parques, museus e restaurantes. Aprenderia a tocar piano, a desenhar, a escrever bem, a dançar, a cozinhar e todas as outras coisas que por ventura surgissem na minha cabeça. Eu não faria um curso universitário, mas estudaria muita história, geografia, psicologia, literatura, arte, ciências sociais e tentaria aprender a me expressar melhor nas poucas línguas que eu conheço. Talvez eu fizesse algum curso universitário mais inovador, como fotografia ou gastronomia, mas sem me importar em me torturar em algum estágio e competir pelo mehor currículo. Eu faria algum trabalho voluntário, viajaria pelo mundo e aproveitaria ao máximo cada dia da minha vida com as pessoas das quais eu gosto. Eu também passaria um bom tempo no cabeleireiro e na academia para me sentir bem feliz comigo mesma. Talvez morasse em uma pequena cidade, em uma casa com muitas árvores, flores e uma fonte que fizesse aquele barulho de água caindo que eu adoro. Eu tentaria passar a maior parte do tempo em contato com a natureza, apesar de ainda precisar de muito contato com a vida de uma grande cidade. Eu certamente seria mais calma, mais saudável, mais amável e mais feliz. Como eu ainda vivo no mundo de verdade, preciso me sustentar e não tenho toda essa ousadia para me arriscar eu vou utilizar as tão sonhada férias, os feriados, os fins de semana e qualquer tempo livre para ser aquilo que eu realmente gostaria de ser...
Rabiscado por Strange Little Girl - 5:39 PM -
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O ódio (parte 2)
Há algum tempo eu escrevi um texto sobre o ódio pensando em uma pessoa específica que havia conseguido conquistar meu ódio com muito, muito trabalho. Mas eu pensei melhor e vi que esse tal ódio durou bem pouco, só enquanto algum amor ainda existia. Depois ele se tornou algo bem pior: indiferença, esquecimento. A situação toda virou motivo de piada, todos aqueles momentos "importantíssimos" foram apagados. Não deve haver nada pior que saber que você foi totalmente superado da vida de uma pessoa. Mas quem mandou? Joguinhos psicológicos sado-masoquistas não duram por muito tempo!
Rabiscado por Strange Little Girl - 6:10 PM -
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Dois anos desapareceram!!!
Não, eu não passei dois anos da minha vida em coma numa cama de hospital ou trancada em casa sofrendo de depressão profunda. Eu simplesmente perdi praticamente tudo o que eu escrevi naquela época. E isso pra mim é como se eu tivesse realmente "perdido" esses anos. Lá estavam tantas das minhas memórias que eu já esqueci. Era uma imensa lista de e-mails que eu tinha trocado com um antigo "namorado" (entre aspas porque a história foi virtual e meio que aconteceu de um lado só) durante todo esse tempo e que resumia praticamente tudo pelo qual eu estava passando naquela época. Havia relatos de viagens, dias bons, dias ruins, pessoas, brigas, tudo tava lá! Ainda sobraram muitos arquivos de chats e alguns poucos e-mails, mas mesmo assim é deprimente. Eu tinha certeza que esse arquivo estava em um cd, o deletei e quando procurei por ele hoje para postar algo como "As besteiras que eu escrevia aos 14" eu vi que ele simplesmente não estava lá! Eu ainda não perdi minhas esperanças... devo ter isso salvo em algum backup antigo... tomara que eu encontre. Queria poder reler esses e-mails quando estivesse mais velha e rir de tudo o que eu escrevia...
Rabiscado por Strange Little Girl - 12:29 AM -
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