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Conversando com problemas (Trabalho)
Eu não gosto de... - Pensar em repetir matérias, repetir matérias, perder tempo.Sim, eu sou perfeccionista. Não sei bem desde quando. Foi piorando com o tempo, ficou ruim no ensino médio. Acho que tem algo a ver com a escola. Eu ia bem, muito bem. Nunca fui nenhum Einstein, mas sempre fiz tudo o que devia fazer. Eu acho que levei a sério aquela história de "Você só estuda. Tem que fazer tudo. É o mínimo, é a sua obrigação". Foi daí que eu conclui que um boletim impecável fazia parte do "mínimo". Repetir matérias é o tipo de coisa que me parece meio inadmíssível. É assim, se eu dediquei aquele tempo exatamente àquela matéria e não a algo mais, porque não fazer o mínimo necessário para passar? Esse pequeno tópico me estressa bastante, porque eu não estou na escola e tenho umas matérias realmente difíceis. Mas sabe, eu até gosto disso... sempre acabo fazendo tudo bem feito. Mas eu me torturo tanto no final do semestre! Fico tão insuportável! Todo mundo fica... menos um amigo meu que realmente não estuda. Nesse caso o que eu realmente preciso fazer é relaxar e estudar. Pensar "eu não posso repetir" não ajuda em nada. Shopping, cinema, namorado, caminhada... isso sim ajuda. Se tiver muito difícil, eu posso pegar recuperação sim, posso até repetir. Depois eu dou um jeito de ajeitar o estágio. Sei lá, fico desempregada por um pouco mais de tempo! Isso não justifica um infarte aos 30 anos. "Perder tempo" é algo que me assustou desde sempre! Foi por isso que eu passei no vestibular de primeira. Tá, na verdade também foi pra provar pra todo mundo que eu era capaz. Essa eu acho que já melhorou. Eu posso sim parar tudo para fazer um intercâmbio, para tentar um emprego em outra área e ver se gosto, para tornar a faculdade algo menos estressante. Eu também posso fazer NADA nas minhas férias sem me sentir culpada. Tanta gente demora anos para entrar e sair da faculdade, por que só eu não posso?- Pensar na idéia de ouvir um "não" em uma entrevista de emprego.Isso é uma mistura de perfeccionismo com baixa auto estima. Se o "não" for por causa de falta de conhecimento e experiência, entra o perfeccionismo. "Por que eu não fiz mais? Por que eu não estudei?" Esse não é tão ruim, é só estudar mais que a coisa melhora. O grande problema é quando o "não" é por causa da minha personalidade. Sabe, eu conheço um monte de gente que faz o social, que lida bem com todo mundo. Eu tenho uma inveja enorme! Parece aquele tipo de coisa que não dá pra mudar. Eu não sou esse tipo de pessoa! Detesto do fundo da minha alma ter que lidar com gente que não tem nada a ver comigo. Não consigo fingir que gosto de algo que não gosto. Não consigo ser falsa por muito tempo. Ainda não decidi se quero ou não ser assim. Digo, não quero, mas me sinto mal quando me lembram disso. Esse negócio de ser sociável, político me parece um sinal de força. É trauma de infância. Na escola eu lidava melhor com esse tipo de coisa. Me achava a melhor da sala e, no auge da minha arrogância, falava com todo mundo. É tão fácil quando você não se importa. Isso: não se importar! Lidar com pessoas não significa ser amigo delas! Melhor, não é bom nem tentar ser amigo de certas pessoas. Já tentei, não deu certo. O "não" pode simplesmente ser porque eu realmente não tenho habilidade para fazer o que estão me propondo. O que fazer? Procurar outro emprego, tentar outra vez... não tem jeito. Levar para o lado pessoal é muito deprimente. E quem escolhe empregado às vezes usa critérios tão estranhos!- Errar em público. - Ver qualquer pessoa que esteja no mesmo nível que eu em algo, mas que seja muito melhor. - Ver pessoas que estão no mesmo ano de faculdade que eu e já têm qualquer coisa escrita em seus currículos. - Tentar algo por muito tempo e ver que o resultado ainda não está bom.Mais umas do amigo perfeccionismo. Errar em público é algo novo pra mim. Eu fugi disso durante toda a adolescência, me recusava a fazer as aulas de educação física, a única coisa que eu realmente não fazia bem. O problema é que eu cresci, e as coisas que eu não sabia fazer também resolveram aumentar. Eu não aprendi a lidar com algumas frustrações. Estava tão acostumada a fazer tudo tão certo. É bom pensar que eu estou aprendendo algo não para ser melhor que os outros, não para me exibir. Eu estou aprendendo porque eu quero, porque eu gosto, porque eu preciso. No final, não vai importar se o colega conseguia fazer aquilo melhor. Ele não vai sustentar meus filhos. Pensando assim a frustração diminui bastante. A parte do tentar algo por muito tempo é complicada, mas na maioria das vezes vale a pena. O resultado acaba aparecendo, mesmo que o processo seja muito muito devagar. E o currículo... ai ai ai. Como eu invejo o currículo dos outros! Eu entrei novinha demais na faculdade, sem carro, fazendo o curso integral. Tem gente que entrou no noturno com mais de 20 anos já tendo trabalhado em um monte de coisa e trabalhando em todos os anos da faculdade! É, não tem jeito, essa eu vou ter que aceitar. Eu dei a sorte e o azar de não ter precisado trabalhar durante a adolescência. Acho que foi sorte. Dane-se o tal mundo capitalista que quer que você tenha uma experiência impossível aos vinte e poucos anos. Eu não sou masoquista, não vou fazer quinhentas coisas ao mesmo tempo. Dá pra correr atrás de (quase) tudo depois.- Ouvir milhares de vezes que eu preciso fazer o tal social para conseguir um emprego.Eu sou de uma espécie estranha de antii-social. Eu era menos anti-social na escola. Fazia o tal "social" com quem importasse no momento, principalmente com professores e alguns colegas próximos. Na faculdade eu não tenho vontade. Não gosto de participar das coisas deles, não tem nada a ver comigo. Pra ser bem sincera, eu não gosto deles. Não fazem o meu tipo. É um mundo e balada com bebida ruim, esportes e organização de eventos. Ai, se ainda fossem eventos legais. Aqueles não dá! Eu não consigo fazer social. Não gosto daquilo o suficiente para me dedicar ainda mais. Eu já tenho pouco tempo! - Me imaginar trabalhando em um lugar onde todo mundo finge ser diferente do que realmente é.É, eu gosto de fazer amigos. Adoro trabalhar em lugares onde as equipes se dão bem, onde você pode ser sincero sobre seus problemas, onde todo mundo ajuda todo mundo. Bem, acho que todo mundo gosta disso. O fato é que eu me importo DEMAIS com isso. Trabalhar por trabalhar em um lugar desagradável é muito ruim. Às vezes isso é inevitável. Se for possível, eu vou tentar encontrar um ambiente bom, nem que isso exija um pouco do social. - Trabalhar sozinha.O problema não é trabalhar sozinha. O problema é trabalhar sozinha fazendo algo chato em uma sala cheia de outras pessoas também trabalhando sozinhas. No meu caso é laboratório. Eu não consigo ficar em um laboratório. Não sou anti-social o suficiente para isso.- Professores que não gostam de ensinar.Isso é desestimulante. Eu amava professores. Queria ser uma. Talvez ainda queira. Foi triste conhecer tantos professores ruins. Pelo menos é como um relacionamento ruim. Me ensina o que eu não quero ser.- Ver colegas meus dizendo que adoram matérias e trabalhos que eu não suporto fazer... - Pensar na idéia de trabalhar em algo chatíssimo e não ter mais que um mês de férias por ano. - Acabar descobrindo que eu não escolhi a profissão certa... - Não saber o que fazer da vida.Esse é o caso mais complicado. Eu não sei se gosto da faculdade, se não me importo, ou se odeio aquilo do fundo do meu coração. É verdade, eu não sei! Não adianta falarem que eu preciso tomar uma decisão. Eu não gostei de trabalhar em laboratório de pesquisa. Tá, nada dava certo e eu tive uma paixonite pelo meu orientador que me tratava mal. Acho que isso contribuiu. Na verdade, eu nunca me interessei muito por laboratório. Qualquer dia eu tento um em que as coisas dêem certo. Pesquisa não é pra mim. Eu gosto de resultado rápido. Talvez eu não deteste aquilo, mas não consigo fazer daquilo a minha vida. Isso é um problema. Outras pessoas serão melhores profissionais. Tá, eu consigo viver sem aquilo. O problema é que eu sou relativamente boa naquilo. Eu sou extremamente humana, gosto de música, de filmes, de escrever, de sentimentos, de psicologia, de línguas... Eu também gosto de matemática, física, química, biologia, mas de um jeito bem impessoal. Trato isso como trabalho. Minha escolha foi meio baseada nisso. Eu não me sentia capaz de lidar com pessoas e opiniões. Hoje eu sou melhor nisso, mas já tô quase na metade do curso. Melhor ver no que isso vai dar mesmo. Fica faltando uma parte de mim, eu sei. Esse negócio de me expressar é meio forte em mim, mas eu procuro saidas. Talvez não tenha nascido inteiramente para nada. Talvez tenha. Não dá pra desesperar. Quando eu acabar, talvez faça outro curso, talvez tente trabalhar em outra coisa. Eu ainda tenho muito tempo pra me encontrar, não precisa ser agora. Quanto às férias, isso parece não ter muito jeito... O melhor é aproveitar bem os feriados e fins de semana mesmo!- Aceitar que eu posso acabar a faculdade sem ter encontrado o trabalho certo. - Saber que talvez eu deteste aquele último estágio da faculdade que poderia me dar um emprego e tenha que pedir demissão. - Ouvir meu pai pedir para eu prestar um concurso público qualquer para garantir emprego caso eu não encontre um na minha área. - Ter que adiar minha independência financêira para conseguir ter uma vida e talvez para aprender coisas novas...Ai, complicado. Eu queria tanto sair da faculdade com um belo emprego. Começar como estagiária, terminar contratada. Isso é o que todo mundo quer. O chato é quando vira obsessão. Parece que se você não achar o estágio certo você vai morrer desempregado! Os neuróticos da faculdade me fizeram pensar assim. O problema é que todo mundo erra. Você pode pegar o estágio errado. Daí dá pra adiar a formatura e conseguir um melhor. Você também pode ser demitido depois de trabalhar. Pelo menos aí tem a experiência. É melhor pedir demissão do que ficar a vida inteira em um trabalho chato. A parte da independência financeira me atormenta um pouco. Morar mais tempo com a família é meio desesperador. Sabe, eu queria chegar em casa com meu namorado e poder beber um copo de vinho! Aqui, ninguém bebe e não tem essa história de trazer namorado pra dormir. Eu meio que idealizo essas coisas. Queria trazer amigos pra festinhas a noite. Todos eles moram com os pais. Só consegui fazer essas coisas de "adolescente" pouquíssimas vezes na minha vida. Eu fico com muita inveja de quem faz. Parece que eu vou estar velha demais para fazer isso quando trabalhar. Não vivi em republica, não me casei aos 20, não saí de casa... aaaaaai, parece que a minha vida vai acabar por causa disso! Como se a casa dos meus pais fosse alguma espécie de presídio. Mas é verdade, não tem jeito. A parte do namorado vai ter que ser na casa dele mesmo. Eu quase vivo lá. A bebida também fica na casa dos outros, nos churrascos, nas baladas. Não dá pra ter tudo. A família vai continuar comigo por muito tempo, ainda mais se eu ficar mais tempo na faculdade ou resolver fazer um segundo curso. É bom tentar viver com eles mesmo. Eu adiava tantos planos pensando "Ah, isso só vou fazer quando sair de casa." É melhor tentar fazer tudo o que é possível imaginando que vou ficar em casa pra sempre. Quando eu sair vai ser mais fácil, menos idealizado.- Médicos. Principalmente médicos fazendo pouquíssimo caso de qualquer outra profissão da área de biológicas... - Matar ratinhos de laboratório.
Rabiscado por Strange Little Girl - 1:37 AM -
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